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Chefe de direitos humanos da ONU aponta retrocesso na luta contra discriminação racial

Volker Türk afirma que progressos históricos estão "sendo questionados, adiados e até revertidos" no mundo
Imagem mostra jovem negro em manifestação antirracista.

Imagem mostra jovem negro com pente garfo na mão em manifestação antirracista.

— Carl de Souza/AFP

21 de março de 2026

O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, divulgou uma mensagem especialmente para este sábado (21) por ocasião do Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial.

No texto, ele reconhece avanços obtidos nas últimas décadas, mas alerta para um cenário de retrocesso impulsionado por discursos de divisão e polarização.

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“Estamos nos aproximando de um ponto de controle – um momento em que esse progresso está sendo questionado, adiado e até revertido”, afirmou Türk. 

Segundo ele, esse ponto foi estabelecido por “aqueles que prosperam na divisão e na polarização” e é reforçado por “estruturas discriminatórias e sustentado pela lógica corrosiva da desumanização”.

O alto comissário observou que, embora a segregação em espaços públicos como ônibus não seja mais praticada em grande parte do mundo, “com muita frequência, ainda o fazemos em nosso pensamento e em nossas formas de vida”.

Türk destacou que a raça continua sendo o motivo mais comum de discriminação no mundo, causando “dor real a milhões de pessoas”. Em diferentes regiões, populações de ascendência africana e asiática, judeus, muçulmanos, povos indígenas e outras minorias étnicas, religiosas e culturais seguem tendo seus direitos básicos negados.

O discurso de ódio se espalha sem controle, inclusive contra migrantes, refugiados e requerentes de asilo. A cobertura midiática tendenciosa também contribui para o problema ao moldar “a geografia de nossa atenção”, fazendo com que alguns países, regiões e vidas sejam considerados “mais dignos de interesse do que outros”.

Apelo à ação

Para o chefe de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), aqueles que propagam o ódio “claramente conseguiram semear desconfiança e caos em nossas sociedades”. Mas Türk afirmou que “a busca da humanidade por justiça e dignidade é inabalável” e “sempre prevalecerá sobre ideias supremacistas delirantes”.

A mensagem convoca esforços para salvaguardar os progressos alcançados, começando pela vontade política. Türk listou medidas necessárias.

Entre elas estão o combate à discriminação racial por meio de leis, empatia e responsabilização. O alto comissário também destacou a importância de trabalhar com a sociedade civil e comunidades afetadas para encontrar soluções duradouras.

Outra frente apontada é a regulamentação de atividades empresariais e a segurança nos espaços online. Türk defende ainda a reforma de sistemas políticos e econômicos ultrapassados, ainda baseados no colonialismo e na exploração.

Por fim, o chefe de direitos humanos da ONU pediu a integração entre justiça racial e justiça climática para comunidades que menos contribuíram para as mudanças climáticas, mas pagam o preço mais alto.

“O racismo não é apenas injusto e ilegal; é moral e intelectualmente falido”, concluiu Türk. “Ao questionar nossas suposições, verificar fatos e aprender sobre história e direitos humanos, podemos enxergar através das táticas de distração e reconhecer nossa humanidade compartilhada.”

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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