O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, divulgou uma mensagem especialmente para este sábado (21) por ocasião do Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial.
No texto, ele reconhece avanços obtidos nas últimas décadas, mas alerta para um cenário de retrocesso impulsionado por discursos de divisão e polarização.
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“Estamos nos aproximando de um ponto de controle – um momento em que esse progresso está sendo questionado, adiado e até revertido”, afirmou Türk.
Segundo ele, esse ponto foi estabelecido por “aqueles que prosperam na divisão e na polarização” e é reforçado por “estruturas discriminatórias e sustentado pela lógica corrosiva da desumanização”.
O alto comissário observou que, embora a segregação em espaços públicos como ônibus não seja mais praticada em grande parte do mundo, “com muita frequência, ainda o fazemos em nosso pensamento e em nossas formas de vida”.
Türk destacou que a raça continua sendo o motivo mais comum de discriminação no mundo, causando “dor real a milhões de pessoas”. Em diferentes regiões, populações de ascendência africana e asiática, judeus, muçulmanos, povos indígenas e outras minorias étnicas, religiosas e culturais seguem tendo seus direitos básicos negados.
O discurso de ódio se espalha sem controle, inclusive contra migrantes, refugiados e requerentes de asilo. A cobertura midiática tendenciosa também contribui para o problema ao moldar “a geografia de nossa atenção”, fazendo com que alguns países, regiões e vidas sejam considerados “mais dignos de interesse do que outros”.
Apelo à ação
Para o chefe de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), aqueles que propagam o ódio “claramente conseguiram semear desconfiança e caos em nossas sociedades”. Mas Türk afirmou que “a busca da humanidade por justiça e dignidade é inabalável” e “sempre prevalecerá sobre ideias supremacistas delirantes”.
A mensagem convoca esforços para salvaguardar os progressos alcançados, começando pela vontade política. Türk listou medidas necessárias.
Entre elas estão o combate à discriminação racial por meio de leis, empatia e responsabilização. O alto comissário também destacou a importância de trabalhar com a sociedade civil e comunidades afetadas para encontrar soluções duradouras.
Outra frente apontada é a regulamentação de atividades empresariais e a segurança nos espaços online. Türk defende ainda a reforma de sistemas políticos e econômicos ultrapassados, ainda baseados no colonialismo e na exploração.
Por fim, o chefe de direitos humanos da ONU pediu a integração entre justiça racial e justiça climática para comunidades que menos contribuíram para as mudanças climáticas, mas pagam o preço mais alto.
“O racismo não é apenas injusto e ilegal; é moral e intelectualmente falido”, concluiu Türk. “Ao questionar nossas suposições, verificar fatos e aprender sobre história e direitos humanos, podemos enxergar através das táticas de distração e reconhecer nossa humanidade compartilhada.”