O crescimento econômico da África deve acelerar para 4,0% em 2026 e 4,1% em 2027, segundo o relatório “Situação Econômica Mundial e Perspectivas 2026”, lançado pela Organização das Nações Unidas (ONU). A previsão representa uma aceleração frente aos 3,5% estimados para 2024 e 3,9% para 2025.
De acordo com o documento, o desempenho reflete maior estabilidade macroeconômica em economias de grande porte do continente. Ainda assim, o relatório ressalta que custos elevados com serviço da dívida, espaço fiscal restrito e inflação de alimentos seguem limitando o avanço do desenvolvimento social e econômico.
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Apesar da tendência geral de aceleração, o desempenho econômico apresenta variações significativas entre as diferentes regiões africanas. A África Oriental deve registrar o maior crescimento, com uma expansão projetada de 5,8% em 2026, impulsionada principalmente pelo desempenho da Etiópia e do Quênia, com apoio adicional da integração regional e da expansão de energias renováveis.
Outras regiões, no entanto, têm projeções de desaceleração ou crescimento mais moderado. A África Ocidental deve desacelerar para 4,4% em 2026, enquanto o Norte da África também tem previsão de uma leve redução no ritmo, para 4,1%. As regiões Central e Austral apresentam as expansões mais modestas, com projeções de 3,0% e 2,0%, respectivamente.
O relatório sugere que o crescimento africano permanecerá resiliente, mesmo diante de eventos contrários como a redução da assistência oficial ao desenvolvimento, o aumento das barreiras comerciais e um ambiente global de comércio e finanças incerto.
Dívida elevada e restrições orçamentárias persistem
Um dos principais desafios destacados pelo documento é a situação fiscal. A ONU estima que a relação média dívida pública/PIB da África atinja 63% em 2025. Os pagamentos de juros absorvem quase 15% da receita pública dos governos.
O relatório aponta que alguns países recuperaram o acesso aos mercados internacionais por meio de novas emissões de títulos. No entanto, cerca de 40% das nações africanas permanecem em situação de superendividamento ou apresentam alto risco de chegar a esse ponto. Vários países buscam reestruturações de dívida no âmbito da estrutura comum do G20.
O espaço fiscal limitado continua a restringir os gastos com desenvolvimento, mesmo com esforços de reforma e consolidação em algumas das maiores economias.
Comércio cresce, mas enfrenta riscos externos
O comércio africano apresentou recuperação em 2025, impulsionado por exportações de metais preciosos e produtos agrícolas, além do aumento das importações de equipamentos de transporte. A exposição do continente às tensões comerciais globais permanece reduzida, em parte devido à diversificação de parceiros comerciais e a isenções tarifárias concedidas pelos Estados Unidos a produtos como petróleo bruto e ouro.
O relatório alerta, porém, para dois desafios principais. A expiração da Lei de Oportunidade e Crescimento para a África (AGOA) dos EUA e a introdução de novas medidas tarifárias apresentam riscos para alguns exportadores, em especial do setor têxtil. Paralelamente, os avanços na implementação da Área de Livre Comércio Continental Africana (AfCFTA) são caracterizados como lentos e desiguais.
Em nível global, o relatório da ONU projeta um crescimento mundial de 2,7% em 2026, ligeiramente abaixo dos 2,8% estimados para 2025 e bem abaixo da média de 3,2% do período anterior à pandemia.