Um relatório do Laboratório de Pesquisa Humanitária (HRL) da Universidade de Yale acusou as Forças de Apoio Rápido (RSF), grupo paramilitar do Sudão, de destruir e ocultar evidências de execuções em massa após a tomada da cidade de El-Fasher, em Darfur.
A análise, baseada em imagens de satélite, afirmou que o grupo “destruiu e ocultou provas de seus assassinatos generalizados em massa” na capital do estado de Darfur do Norte.
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A violenta captura da última posição do exército em Darfur, em outubro, gerou indignação internacional após relatos de execuções sumárias, estupros sistemáticos e detenções em massa.
O HRL identificou, após a ocupação, 150 aglomerados de objetos consistentes com restos humanos. Dezenas deles correspondiam a relatos de execuções, e outras dezenas a mortes de civis em fuga.
Em menos de um mês, quase 60 desses aglomerados deixaram de ser visíveis nas imagens de satélite. Oito alterações no solo apareceram perto dos locais dos massacres. O relatório afirmou que essas alterações não correspondiam a práticas civis de sepultamento.
“Ocorreram assassinatos em massa e descarte de corpos em grande escala e sistemáticos”, determinou o relatório, que estimou o número de mortos na cidade em dezenas de milhares.
Grupos de ajuda e a Organização das Nações Unidas (ONU) pedem há meses acesso seguro a El-Fasher, onde as comunicações permanecem cortadas e dezenas de milhares de sobreviventes estão presos, muitos detidos pelo RSF.
Exército e aliados também cometem atrocidades étnicas
A ONU classificou o conflito no Sudão como uma “guerra de atrocidades“. Embora o RSF seja notório por massacres étnicos, civis também são alvos étnicos do exército e de seus aliados.
Uma investigação da CNN e da organização Lighthouse Reports, divulgada na terça-feira (16), documentou 59 ataques de motivação étnica cometidos pelo exército e milícias aliadas durante a retomada do estado central de Al-Jazira neste ano. As comunidades Kanabi, trabalhadores agrícolas sazonais tradicionais das regiões de Darfur e Kordofan, foram alvo de soldados sudaneses e de duas milícias: as Forças Escudo do Sudão e a Brigada Baraa ibn Malik.
Os Kanabi foram acusados de colaborar com o RSF e, de acordo com denunciantes e imagens de satélite, foram mortos em massa e seus corpos jogados em canais. O comandante das Forças Escudo do Sudão, Abu Agla Kaykal, foi acusado de atrocidades cometidas em nome de ambos os lados.
Não há um número confirmado de mortos na guerra do Sudão, que começou em abril de 2023, com estimativas acima de 150 mil. Os combates deslocaram milhões de pessoas e criaram as maiores crises de fome e deslocamento do mundo.