O presidente da República Democrática do Congo (RDC), Félix Tshisekedi, usou a tribuna da 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas nesta quarta-feira (24) para pedir que os Estados-membros reconheçam o que classificou como um “genocídio silencioso” que atinge o povo congolês há mais de três décadas.
O chefe de Estado destacou que milhões de pessoas foram mortas, quase 7 milhões estão deslocadas e comunidades inteiras foram destruídas em ataques sistemáticos.
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Segundo Tshisekedi, a ofensiva das milícias do Movimento 23 de Março (M23), apoiadas pelo Ruanda, constitui um plano de extermínio que precisa ser reconhecido pela comunidade internacional. “Todos os sinais de um extermínio planejado estão presentes”, afirmou em discurso.
A fala de Tshisekedi coincidiu com o anúncio do presidente francês, Emmanuel Macron, de que Paris sediará, em outubro, uma conferência de emergência sobre a situação humanitária no leste da RDC. Macron defendeu que a soberania e a integridade territorial congolesa sejam respeitadas e que a comunidade internacional ofereça resposta concreta às populações deslocadas nas províncias de Kivu.
Pedido de sanções e comissão internacional
Em seu discurso, Tshisekedi pediu a criação imediata de uma comissão internacional de inquérito independente, com recursos adequados, para apurar crimes de guerra, crimes contra a humanidade e crimes de genocídio atribuídos a diferentes atores do conflito.
Ele também defendeu a aplicação de sanções da ONU contra os responsáveis, incluindo autores de crimes econômicos que exploram ilegalmente recursos minerais da região. Um relatório recente das Nações Unidas já havia apontado a ocorrência de crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos por todas as partes envolvidas.
A violência no leste congolês, rico em minerais estratégicos, se intensificou desde 2021, com a retomada de ofensivas do M23 e a captura de importantes centros urbanos como Goma e Bukavu. A ONU estima milhares de mortos e centenas de milhares de deslocados desde o início deste ano.
Tshisekedi insistiu que a resolução da crise requer o envolvimento da União Africana, da ONU, de Estados vizinhos e de organizações da sociedade civil. O presidente reiterou que a paz duradoura na região depende de ação internacional coordenada, capaz de quebrar o ciclo de impunidade e oferecer proteção às vítimas de violência.