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Presidente sul-africano classifica ataques dos EUA como ‘desinformação’

Governo de Cyril Ramaphosa afirma que medidas de Washington distorcem fatos e têm motivação política; exclusão do G20 em Miami e tarifas comerciais aprofundam crise bilateral
O presidente dos EUA, Donald Trump, entrega documentos ao presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, durante uma reunião no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, DC, em 21 de maio de 2025.

O presidente dos EUA, Donald Trump, entrega documentos ao presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, durante uma reunião no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, DC, em 21 de maio de 2025.

— Jim Watson/AFP

1 de dezembro de 2025

O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, acusou os Estados Unidos de difundir “desinformação flagrante” sobre o país. Em pronunciamento televisivo na noite de domingo (30), Ramaphosa respondeu às alegações do governo norte-americano, que citou supostos ataques a pessoas brancas como motivo para não participar da cúpula do G20 em Joanesburgo.

“Os motivos que os EUA apresentaram para sua não participação foram baseados em alegações infundadas e falsas de que a África do Sul comete genocídio contra africâneres e confisca terras de pessoas brancas”, declarou o presidente na rede SABC. “Esta é desinformação flagrante sobre nosso país.”

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Ramaphosa atribuiu a postura de Trump a uma “campanha sustentada de desinformação por grupos e indivíduos dentro de nosso país, nos EUA e em outros lugares”. Ele alertou que esses agentes “colocam em perigo e minam os interesses nacionais da África do Sul, destroem empregos sul-africanos e enfraquecem as relações de nosso país com um de nossos parceiros mais importantes”.

O presidente sul-africano afirmou, no entanto, que o país está disposto a “continuar a dialogar com o governo dos Estados Unidos, e a fazê-lo com respeito e com dignidade, como países soberanos e iguais”.

Contexto das declarações

O pronunciamento de Ramaphosa é uma resposta direta às ações e declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas últimas semanas. Trump repetiu alegações falsas sobre um “genocídio branco” na África do Sul. Ele também usou como justificativa a recusa do presidente sul-africano em transferir simbolicamente a presidência do G20 para os EUA durante a cúpula de Joanesburgo.

A tensão se agravou quando Trump anunciou que não convidaria a África do Sul para a próxima reunião do G20, que ele planeja sediar em um campo de golfe de sua propriedade em Miami, em 2026. Os Estados Unidos também boicotaram a cúpula em Joanesburgo.

A desinformação sobre suposto genocídio não é o único ponto de conflito. Washington impôs tarifas de 30% sobre produtos sul-africanos, as mais altas da África Subsaariana. 

Outra fonte de discordância é o processo movido pela África do Sul contra Israel no Tribunal Internacional de Justiça, em que acusa o Estado israelense de genocídio em Gaza, uma posição que contrasta com o apoio tradicional dos EUA a Israel.

A relação bilateral se deteriorou de forma marcante desde o retorno de Trump à Casa Branca em janeiro, com o governo sul-africano lamentando que os esforços para redefinir a parceria diplomática tenham sido frustrados por “medidas punitivas baseadas em desinformação”.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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