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‘Pressão da Europa’: técnico do Mali critica mudanças na Copa Africana de Nações e responsabiliza FIFA e europeus

Torcedores do Mali nas arquibancadas do estádio Mohammed V, em Casablanca, Marrocos, antes da partida entre Mali e Zâmbia na Copa Africana de Nações, 22 de dezembro de 2025

Torcedores do Mali nas arquibancadas do estádio Mohammed V, em Casablanca, Marrocos, antes da partida entre Mali e Zâmbia na Copa Africana de Nações, 22 de dezembro de 2025

— Abdel Majid Bziouat/AFP

27 de dezembro de 2025

Na quinta-feira (25), o técnico da seleção de futebol do Mali, Tom Saintfiet, criticou a decisão de disputar a Copa Africana de Nações a cada quatro anos em vez de dois. Segundo ele, a mudança foi imposta por dinheiro aos africanos pela FIFA e por clubes europeus.

“Estou muito chocado e muito decepcionado com isso. É o orgulho do futebol africano, com os melhores jogadores do futebol africano”, disse o belga a repórteres na capital marroquina, Rabat.

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“Tirar isso e passar para cada quatro anos […] eu poderia entender se fosse um pedido por qualquer motivo vindo da África, mas é tudo instruído pelos poderosos da UEFA [órgão dirigente do futebol europeu], pelos grandes clubes da Europa e também pela FIFA, e isso torna tudo muito triste”, acrescentou.

Saintfiet já treinou diversas seleções africanas, incluindo a Gâmbia, levando a seleção às quartas de final do torneio em 2022. Ele foi contratado pelo Mali em agosto do ano passado.

O então técnico da seleção de Gâmbia, Tom Saintfiet (à esquerda) gesticula ao lado do técnico de Senegal, Aliou Cissé (à direita) durante a Copa Africana de Nações na Costa do Marfim, em Yamoussoukro, 15 de janeiro de 2024
O então técnico da seleção de Gâmbia, Tom Saintfiet (à esquerda) gesticula ao lado do técnico de Senegal, Aliou Cissé (à direita) durante a Copa Africana de Nações na Costa do Marfim, em Yamoussoukro, 15 de janeiro de 2024 (Foto: Issouf Sanogo/AFP)

A Copa Africana de Nações quase sempre foi realizada em intervalos de dois anos desde a primeira edição em 1957, mas o presidente da Confederação Africana de Futebol, Patrice Motsepe, anunciou no último fim de semana que o torneio passará a ocorrer a cada quatro anos após o torneio planejado para 2028.

“Lutamos por tanto tempo para sermos respeitados, para depois dar ouvidos à Europa para mudar a nossa história — porque esta é uma história que remonta a 68 anos — apenas por causa de demandas financeiras de clubes que usam o peso sobre os jogadores como desculpa, enquanto criam uma Copa do Mundo com 48 times e uma Liga dos Campeões sem campeões”, disse Saintfiet.

“Se você não é rebaixado na Inglaterra, você quase consegue uma vaga na Europa, é tão estúpido”, disse. “Se querem proteger os jogadores, então joguem a Liga dos Campeões apenas com os campeões. Não criem mais competições com mais carga. Assim, ainda seria possível jogar a CAN a cada dois anos”, afirmou.

O técnico disse ainda que a África é o maior continente do futebol mundial e que as grandes estrelas jogando na Europa, hoje, são africanas. Saintfiet disse também que a decisão de aumentar em dois anos o intervalo entre os torneios é desrespeitosa e lamentou que a organização tenha cedido à “pressão da Europa”.

A Copa Africana de Nações deste ano é sediada em seis cidades do Marrocos — Agadir, Casablanca, Fes, Marrakech, Rabat e Tangier — e teve início no domingo (21). Ao todo, 24 seleções disputam o título do torneio. A final está marcada para o dia 18 de janeiro.

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