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União Africana propõe fim da suspensão da Guiné após eleições presidenciais

Presidente da Comissão da UA declara que país está pronto para reintegração total após transição e eleição; suspensão foi imposta após golpe de Estado em 2021
Reunião do Conselho de Paz e Segurança da União Africana, no dia 22 de janeiro de 2026, na Etiópia.

Reunião do Conselho de Paz e Segurança da União Africana, no dia 22 de janeiro de 2026, na Etiópia.

— Reprodução/União Africana

22 de janeiro de 2026

O presidente da Comissão da União Africana (UA), Mahmoud Ali Youssouf, afirmou nesta quinta-feira (22) que a Guiné está pronta para retomar plenamente sua participação na organização continental. O posicionamento ocorre após a realização de eleições presidenciais reconhecidas pela instituição panafricana como compatíveis com normas internacionais. O país foi suspenso da UA após o golpe de estado que depôs o presidente Alpha Condé em setembro de 2021.

Youssouf recebeu o ministro das Relações Exteriores da Guiné, Morissanda Kouyaté, na sede da União Africana, em Adis Abeba. Segundo comunicado oficial, o dirigente destacou, na reunião do Conselho de Paz e Segurança da UA, a trajetória recente do país e apontou progressos na condução de uma transição política baseada em diálogo nacional e no restabelecimento da ordem constitucional.

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O encontro aconteceu poucos dias após a posse do presidente Mamady Doumbouya. O líder, que assumiu o poder pelo golpe de 2021, foi eleito no início de dezembro com 86,72% dos votos, conforme resultados proclamados pela Suprema Corte do país.

Reconhecimento do processo eleitoral e compromisso da Guiné

No início de dezembro, Youssouf já havia elogiado “a maturidade do povo guineense, que votou com calma e serenidade”. O líder da Comissão da UA parabenizou todos os atores pelo que considerou uma eleição que seguiu as normas internacionais.

O ministro Kouyaté, por sua vez, expressou o que definiu como “o profundo reconhecimento” de Conakry pelo apoio da União Africana. Ele reafirmou o compromisso do país com uma reintegração completa à organização.

Youssouf também incentivou o compartilhamento de lições aprendidas com a transição na Guiné e no Gabão. O objetivo, segundo ele, é apoiar outros processos de transição política no continente.

O presidente da Comissão da UA afirmou que o fim da suspensão deve vir acompanhado de esforços contínuos para consolidar a governança democrática, manter o estado de direito e fortalecer a coesão social. Ele reafirmou na mesma nota o compromisso da União Africana em continuar a acompanhar a Guiné nos esforços para consolidar a paz, a estabilidade e o desenvolvimento sustentável.

A Guiné

A Guiné é um país da África Ocidental, com fronteiras com a Guiné-Bissau, Senegal, Mali, Costa do Marfim, Libéria e Serra Leoa. Sua independência da França ocorreu em 1958. O país tem uma população de cerca de 13,5 milhões de habitantes e é um dos mais populosos da região.

A nação tem uma das maiores reservas mundiais de bauxita, além de recursos como minério de ferro, diamantes, ouro e urânio. A economia, no entanto, permanece majoritariamente agrícola. A composição étnica é diversa, com grupos como os Fula (Peuhl), Malinke e Susu. O francês é a língua oficial do país, mas são falados cerca de 40 idiomas nativos. A maioria da população segue o islamismo.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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