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CAF amplia programa de afroempreendedorismo com investimento de R$ 2,6 mi na América Latina

Banco de Desenvolvimento anuncia segunda fase com formação de rede continental e ampliação da pesquisa para sete países; Salvador sedia lançamento na Feira Preta
Imagem mostra um quiosque no saguão de um aeroporto, onde uma mulher negra atende outras duas mulheres.

Imagem mostra um quiosque no saguão de um aeroporto, onde uma mulher negra atende outras duas mulheres.

— Fernando Frazão/Agência Brasil

2 de dezembro de 2025

O Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF) anunciou, em Salvador (BA), a segunda fase do programa de fomento ao afroempreendedorismo. O lançamento ocorreu na programação do Preta Talks, durante o Festival Feira Preta, e marcou o avanço de uma iniciativa que, em 2024, produziu o primeiro levantamento regional sobre negócios liderados por pessoas negras na América Latina.

A nova fase inclui a expansão da pesquisa, a implementação de ações formativas e o fortalecimento de redes de negócios liderados por pessoas negras. O CAF investirá US$ 250 mil (cerca de R$ 1,3 milhão) enquanto o Instituto Feira Preta complementa o equivalente, com infraestrutura, metodologia e expertise acumulada.

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Segundo Eddy Bermúdez, diretor de Diversidade do Banco CAF, a etapa atual atua diretamente sobre os obstáculos identificados no primeiro estudo. “Vamos formar, apoiar e conectar empreendedores de todos os países envolvidos. Com Equador e Uruguai, damos mais um passo rumo à construção de uma afroeconomia latino-americana sólida, inovadora e integrada”, afirmou em comunicado à imprensa.

Primeira fase revelou padrões estruturais do afroempreendedorismo

Lançada no fim de 2024, a fase inicial estudou o perfil e os desafios de empreendedores negros da Argentina, Brasil, Colômbia, Panamá e Peru. O levantamento consultou cerca de 3 mil afroempreendedores, combinando dados quantitativos e entrevistas qualitativas para identificar barreiras estruturais.

Os resultados expuseram desigualdades no acesso ao crédito e na inserção no mercado financeiro. No Brasil, 44% dos pedidos de crédito de empreendedores negros foram negados, contra 29% dos apresentados por pessoas brancas. A expansão de negócios durante a pandemia também se destacou: quase 60% dos empreendimentos surgiram nesse período, motivados pela busca por renda.

Mulheres compõem a maior parcela do ecossistema afroempreendedor latino-americano, representando 80% dos participantes do estudo. Apesar desse protagonismo, 48% dos empreendimentos liderados por mulheres registram faturamento mensal de até um salário mínimo.

O relatório identificou forte dimensão identitária nas iniciativas, com empreendedores que criam negócios vinculados à cultura, ancestralidade e fortalecimento comunitário. No Brasil, oito em cada dez empreendedores afirmam atuar alinhados a práticas ESG — conjunto de critérios que avalia o desempenho de uma empresa em relação à sustentabilidade e responsabilidade corporativa. 

A pesquisa apontou ainda ambientes bancários restritivos, ausência de garantias e discriminação racial como obstáculos recorrentes.

Segunda fase prioriza formação e redes regionais

Com o anúncio em Salvador, o CAF iniciou a fase de implementação das recomendações do estudo. A nova etapa inclui programas de formação voltados a capacitar empreendedores negros nos sete países agora incluídos — Brasil, Argentina, Colômbia, Peru, Panamá, Equador e Uruguai — com previsão de ampliação futura para dez nações.

A agenda também prevê a criação de uma rede latino-americana de afroempreendedores. A proposta é conectar iniciativas, fomentar parcerias, ampliar a circulação de conhecimento e estimular oportunidades econômicas transnacionais.


Outra frente envolve o apoio ao desenho de políticas públicas baseadas em evidências. O CAF pretende auxiliar governos locais e nacionais na formulação de ações para enfrentar desigualdades raciais que atravessam o empreendedorismo na região.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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