O Ministério Público Federal (MPF) determinou a ampliação das investigações e classificou como insuficiente o relatório apresentado pela Caixa Econômica Federal sobre registros financeiros de pessoas escravizadas no século XIX.
Diante disso, o órgão estabeleceu prazo de 15 dias para a Caixa apresentar informações detalhadas da equipe envolvida na pesquisa, metodologia e o número de livros de conta-corrente em seu acervo.
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A apuração do órgão busca esclarecer o papel da instituição financeira na gestão de recursos e o destino dos valores, principalmente no período de transição para o fim da escravidão.
O procedimento foi instaurado a partir de representação da entidade Quilombo Raça e Classe e integra a atuação do MPF na defesa da memória e da verdade histórica.
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Em outubro de 2025, o MPF criou um plano para identificar essas cadernetas de poupança de pessoas escravizadas ou ex-escravizadas no acervo da Caixa, usadas em muitos casos para a compra de cartas de alforria.
A instituição localizou 158 registros, mas o órgão considerou o levantamento insuficiente por não esclarecer o destino dos recursos nem o papel da Caixa no período escravista. Segundo o MPF, há cerca de 14 mil documentos da época no banco que ainda não foram tratados.
O despacho também prevê o envio de ofícios ao Arquivo Nacional e ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que devem avaliar o valor histórico do material e acompanhar sua preservação e organização.
A avaliação do MPF é reforçada pela historiadora Keila Grinberg, que colabora com o inquérito em trâmite na Procuradoria da República no Rio de Janeiro (PR/RJ).
Segundo a pesquisadora, a análise deve incluir todos os documentos disponíveis, especialmente os livros de conta-corrente, que registram movimentações financeiras de pessoas escravizadas.
Também destacou que, no fim do século XIX, pessoas libertas nem sempre eram identificadas por cor ou origem nos registros, o que exige cruzamento de dados e pesquisa mais aprofundada para reconstruir essas trajetórias.
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