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Campanha busca sensibilizar campo evangélico sobre violência contra jovens negros

Iniciativa mobiliza ações de comunicação digital e territorial ao longo de março
Imagem mostra jovens negros segurando placa escrito Juventude Negra Viva e Levante-se contra o racismo.

Imagem mostra jovens negros segurando placa escrito Juventude Negra Viva e Levante-se contra o racismo.

— Leonardo Sá

17 de março de 2026

O Movimento Negro Evangélico (MNE) lançou a campanha “Não matem meus jovens”, que tem como objetivo sensibilizar o campo religioso evangélico e a sociedade em geral para o enfrentamento das violências que atingem jovens negros, especialmente aquelas legitimadas por discursos fundamentalistas ou que naturalizam a morte. 

A campanha mobiliza ações de comunicação digital e territorial ao longo de março, incluindo momentos de oração, denúncia pública e mobilização nas igrejas, com foco nos 21 Dias de Ativismo Contra o Racismo.

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Estatísticas sobre a letalidade da população negra ancoram a campanha, a exemplo dos dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), que expõem que as pessoas negras representam mais de 75% das vítimas de mortes violentas intencionais no país.

Leia mais: Violência armada matou 329,4 mil homens negros em 10 anos, aponta pesquisa

Para a teóloga e pastora do Ministério Casa de Profetas no Rio de Janeiro, Rose Cabral, essa realidade de violência evidencia como o racismo segue operando como estrutura de morte no país.

“No Brasil, a raça ainda é um marcador social, um verdadeiro jugo de desigualdade que condena jovens negros à morte diariamente. Como discípulos de Jesus, não podemos nos esquecer de que fomos chamados para dar continuidade à obra do nosso Mestre. A sociedade espera da Igreja os mesmos atos de justiça narrados nos Evangelhos: acolhimento aos necessitados e consolo aos que choram. Diante dessa realidade, não podemos nos calar”, afirma em comunicado à imprensa.

Leia mais: ‘Nossa fé é em Jesus, não nos líderes religiosos’, diz Andressa Oliveira, do comitê de evangélicas da Marcha das Mulheres Negras

A iniciativa também tem foco no acolhimento de mães e familiares de vítimas da violência, que segundo o MNE tratam-se de mulheres que muitas vezes enfrentam sozinhas o luto e o medo permanente.

O movimento convida as lideranças religiosas, as famílias negras, a juventude evangélica e as comunidades de fé espalhadas pelo Brasil a participarem ativamente da iniciativa, que busca transformar a dor em ação política, cuidado comunitário, proclamação da justiça e mobilização social.

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