PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Ataques com tiros e bombas a território indígena é denunciado à comissão internacional

APIB denuncia à CIDH ação policial contra indígenas em retomada de território no Mato Grosso do Sul
A retomada Kaa’Jari/Tapykora Korá, na TI Iguatemipeguá II, no Mato Grosso do Sul.

A retomada Kaa’Jari/Tapykora Korá, na TI Iguatemipeguá II, no Mato Grosso do Sul.

— Reprodução/APIB

30 de abril de 2026

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) enviou, na quarta-feira (29), à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) um alerta sobre o recente ataque contra a retomada Kaa’Jari/Tapykora Korá, na Terra Indígena (TI) Iguatemipeguá II, no Mato Grosso do Sul.

Em nota, a entidade informou que o caso teve início na madrugada do último sábado (25) e se estendeu até o dia seguinte. Segundo denúncia do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), homens armados reconhecidos como jagunços dispararam contra o território em retomada que integra a Fazenda Limoeiro. 

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

A área está localizada próxima à Reserva Limão Verde e sobreposta à TI. A aldeia Limão Verde também teria sido alvo de tiros e bombas. 

Leia mais: Indígenas denunciam abordagens violentas da polícia em retomada de território no MS

No domingo (26), equipes do Departamento de Operações de Fronteira (DOF) e da Tropa de Choque da Polícia Militar teriam autuado indígenas sem decisão judicial e os forçado a retornar para Limão Verde. 

A APIB também relata que seis indígenas, incluindo um adolescente de 14 anos, foram presos e levados para a delegacia de Amambai sem justificativa das autoridades. 

Entre os presos, estão Josilaine e Valdenir Gonçalves, Aracilda Nunes, Carlos Garniel Batista da Silva e Daiane Ortiz. O nome do jovem não foi divulgado para preservar sua identidade. 

À CIDH, a articulação informou que, durante o ocorrido, o DOF controlou as vias de acesso à Reserva. Para a organização, o ataque está relacionado à aprovação do Marco Temporal (Lei nº 17.701/2023), utilizado para embasar interpretações jurídicas que criminalizam retomadas indígenas. 

A norma, aponta o comunicado, abre margem para ações repressivas e para a insegurança jurídica de comunidades que reivindicam seus territórios tradicionais. 

“Ao mesmo tempo em que o Estado reconhece a demora na demarcação de terras indígenas, permite que decisões e leis sejam usadas para legitimar a repressão às retomadas, agravando a violência e o risco aos povos indígenas”, diz trecho do comunicado.

Além da denúncia, a APIB solicita ao governo federal a apuração imediata e independente do ataque, além da garantia de segurança da comunidade Kaa’Jari/Tapykora Korá, dos moradores de Limão Verde e das demais famílias afetadas. 

Leia mais: STF cria ouvidoria para indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano