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Comunidade quilombola de Pernambuco denuncia fechamento arbitrário de turmas em escola no território

Mães do Quilombo de Cascavel relatam ter assinado uma folha em branco durante reunião com a Secretaria de Educação, supostamente utilizada para validar a medida
Uma criança sentada em uma sala de aula.

Uma criança sentada em uma sala de aula.

— Reprodução/Tomaz Silva/Agência Brasil

2 de março de 2026

A comunidade quilombola de Cascavel, na cidade de Capoeiras (PE), denunciou a ameaça de transferência arbitrária de estudantes da escola do quilombo sem consulta prévia. A informação foi divulgada pelo Coletivo Nacional de Educação da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), na quinta-feira (26). 

As mães do território relatam que foram informadas, durante uma reunião com a Secretaria Municipal de Educação, no dia 12 de fevereiro, que apenas o Pré 1 e Pré 2 continuariam a ser oferecidos no local. A transferência das demais crianças para escolas fora do quilombo, diz a denúncia, não foi apresentada como opção e sim como determinação. 

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Em nota, a CONAQ  informa que uma folha em branco teria sido entregue às mães para assinatura e usada posteriormente para registrar uma suposta concordância com a medida. 

Segundo as famílias, a prefeitura e a secretaria não abriram espaço para o diálogo. Elas afirmam que a comunidade, titulada pela Fundação Palmares desde 2006, possui prédio escolar em condições de funcionamento e professores quilombolas capacitados para a função. 

A transferência é vista com preocupação pelos moradores, que apontam a complexidade na dinâmica do transporte diário para unidades escolares fora de Cascavel. 

O Coletivo ressalta que, entre os alunos, existem aqueles que apresentam mais dificuldades e necessitam de maior apoio, que podem ser ainda mais impactados com a medida. Para os quilombolas, a escola de Cascavel compõe uma parte fundamental do território. 

“Eu não aceito. Isso é uma situação muito difícil, muito triste. Nossos pequenos têm que continuar aqui. Nossa escola é nossa história. Quero que meu filho continue estudando onde um dia eu estudei”, declarou Maria Aparecida Teixeira Bento, mãe de uma das crianças afetadas, em nota da Conaq. 

A transferência arbitrária, destaca a entidade, representa um retrocesso no direito à educação quilombola e rompe com o vínculo das crianças com o quilombo. Em resposta, familiares acionaram o Ministério Público Federal (MPF) e protocolaram um documento com depoimentos que apontam os impactos do encerramento das turmas, cobrando providências urgentes. 

A Alma Preta tentou contato com a Prefeitura de Capoeiras para obter um parecer oficial sobre a denúncia, mas não obteve resposta. O espaço segue aberto para manifestação. 

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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