A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) começou nesta segunda-feira (10), em Belém (PA), com negociações travadas em torno do abandono das energias fósseis e do financiamento destinado a países mais afetados por eventos climáticos extremos. A capital paraense recebe cerca de 50 mil participantes, entre chefes de Estado, delegações diplomáticas, especialistas e organizações da sociedade civil.
O governo brasileiro aposta que a conferência sirva para recolocar a Amazônia no centro das decisões globais e reforçar a urgência de políticas contra o desmatamento, mineração ilegal e violência em territórios indígenas. No entanto, debates sobre logística marcaram os últimos dias, com relatos de estruturas inacabadas e receio de falta de serviços básicos durante o encontro.
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A escolha de Belém como sede da conferência atende ao objetivo do governo brasileiro de aproximar as decisões climáticas dos territórios mais impactados pela crise ambiental. A floresta amazônica desempenha papel central na regulação climática do planeta, mas enfrenta destruição contínua.
A conferência ocorre três décadas após a assinatura da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, durante a Rio-92, marco fundador das negociações atuais.
Disputa sobre combustíveis fósseis
A principal controvérsia diplomática diz respeito ao ritmo e ao modelo de abandono do petróleo, gás e carvão. O Brasil defende um “mapa do caminho” para a transição energética. A proposta enfrenta resistência de países produtores e de governos alinhados à indústria de combustíveis fósseis.
A pressão também vem de pequenos países insulares e nações mais vulneráveis, que exigem metas e prazos concretos para conter o aumento da temperatura global. Representantes desses Estados afirmam que a meta de limitar o aquecimento a 1,5°C está em risco. “1,5°C é uma questão de sobrevivência”, declarou Manjeet Dhakal, assessor do grupo de países menos desenvolvidos.
A definição de mecanismos financeiros é outro ponto crítico. Países em desenvolvimento cobram a ampliação dos fundos internacionais voltados para adaptação, reconstrução e resposta a desastres climáticos. O furacão que atingiu a Jamaica no mês passado é citado como exemplo da urgência por recursos permanentes e acessíveis.
Ausência dos Estados Unidos
Pela primeira vez, os Estados Unidos não participam da conferência. O governo de Donald Trump mantém postura contrária ao consenso científico sobre o aquecimento global e se afasta das tratativas multilaterais. Trump, que classificou o aquecimento global como “farsa”, criticou o desmatamento na região de Belém em em sua rede social, a Truth Social, neste domingo (9).
“Eles destruíram a Floresta Amazônica no Brasil para a construção de uma rodovia de quatro faixas para que ambientalistas pudessem viajar”, publicou Trump. O presidente estadunidense ainda afirmou que o caso “se tornou um grande escândalo”.
Ainda assim, líderes de países europeus defenderam a necessidade de proteger a ciência diante do avanço do negacionismo climático. O presidente francês Emmanuel Macron afirmou, em reunião prévia ao evento, que “a discussão climática não pode ser reduzida à disputa ideológica”.
O que é a COP?
A COP, ou Conferência das Partes, é um órgão da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês), composta por 197 países. A entidade é o principal espaço deliberativo da ONU para a execução de medidas assumidas pelos países para reverter a crise climática.
O encontro acontece desde 1995 e teve sua primeira edição em Berlim, na Alemanha. Neste ano, a COP chega à sua 30ª edição e acontece pela primeira vez no Brasil, em Belém (PA).