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Endometriose afeta 60% das mulheres com infertilidade na Bahia

Dores constantes, sangramentos excessivos e irregulares são alguns dos sintomas da doença que atinge mais de 190 milhões de mulheres em idade reprodutiva no mundo
A imagem mostra uma mulher negra, sentada, com as mãos sob a barriga.

Foto: Shutterstock

6 de maio de 2024

Na terça-feira (7) é celebrado o Dia Internacional da Luta contra Endometriose, uma doença inflamatória e silenciosa que atinge aproximadamente 60% das mulheres inférteis na Bahia, de acordo com informações do Movimento Brasileiro de Conscientização da Endometriose (MovEndo).  No mundo, 10% — 190 milhões— das mulheres em idade reprodutiva têm a condição, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A endometriose é uma doença inflamatória provocada por células do endométrio (tecido que reveste o útero) que, em vez de serem expelidas durante a menstruação, se movimentam no sentido oposto, caem nos ovários ou na cavidade abdominal e voltam a se multiplicar e a sangrar.

Ainda de acordo com o MovEndo, a endometriose afeta de 10% a 15% das mulheres em idade reprodutiva. Um dos sintomas mais comuns dessa condição é a dor intensa durante a menstruação, conhecida como dismenorreia.

Segundo a Associação Brasileira de Endometriose, mais de 30% dos casos dessa condição levam à infertilidade. Com os tratamentos disponíveis, no entanto, é possível que uma mulher diagnosticada com endometriose engravide e leve a gestação até o final.

Além da dor menstrual, as mulheres com endometriose têm dores durante a relação sexual, chamada dispareunia. Isso ocorre devido à presença do tecido endometrial em locais não naturais, o que pode causar irritação e inflamação durante o contato íntimo. Essa dor pode afetar significativamente a qualidade de vida das pacientes e até mesmo interferir em suas relações interpessoais, explica a médica ginecologista Jaqueline Neves, em nota à imprensa.

Outro sintoma comum da endometriose é o sangramento irregular, que pode ocorrer tanto durante o ciclo menstrual quanto fora dele. Esse sangramento pode ser leve ou intenso e, em alguns casos, pode levar a complicações como anemia devido à perda de sangue frequente e excessiva.

“É importante ressaltar que, embora esses sintomas sejam comuns em muitas mulheres, nem todas as pacientes com endometriose apresentam todos eles, e a gravidade dos sintomas pode variar de uma pessoa para outra”, destaca a ginecologista.

O diagnóstico da endometriose pode ser desafiador, pois seus sintomas podem ser confundidos com outras condições ginecológicas. Geralmente, é feito por meio de exames clínicos, como exame físico, história clínica menstrual da paciente, ultrassonografia, ressonância magnética e, em alguns casos, técnicas cirúrgicas para visualizar diretamente o tecido endometrial fora do útero. 

O tratamento varia de acordo com a gravidade dos sintomas e pode incluir medicamentos para aliviar a dor, reeducação alimentar anti-inflamatória, terapias hormonais para controlar o crescimento do tecido endometrial e, em casos mais graves, cirurgia para remover o tecido afetado.

Embora a endometriose seja uma condição crônica e sem cura definitiva, muitas mulheres encontram alívio dos sintomas com o tratamento adequado e o acompanhamento médico regular. De acordo com a médica, a conscientização e a atenção aos sintomas é fundamental para melhor diagnóstico e tratamento da doença.

  • Patricia Santos

    Jornalista, poeta, fotógrafa e vídeomaker. Moradora do Jardim São Luis, zona sul de São Paulo, apaixonada por conversas sobre territórios, arte periférica e séries investigativas.

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