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Entidades denunciam à ONU o uso da fome como punição em presídios 

Relatório entregue ao Comitê contra a Tortura aponta insegurança alimentar, racionamento de água e falhas na apuração de denúncias de tortura no Brasil
Uma unidade prisional em Minas Gerais.

Uma unidade prisional em Minas Gerais.

— Reprodução/Governo de Minas Gerais

13 de fevereiro de 2026

O Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD), junto a organizações da sociedade civil, denunciou ao Comitê contra a Tortura da Organização das Nações Unidas (CAT/ONU) a insegurança alimentar nas prisões e irregularidades nas audiências de custódia.

Neste ano, o Comitê fará uma visita técnica ao Brasil para avaliar o cumprimento da Convenção contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos e Degradantes, documento vigente desde 1991 no território brasileiro. 

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O ofício do IDDD analisa as falhas na apuração de denúncias de tortura e maus-tratos feitas durante audiências de custódia, baseado em dados da pesquisa “Direito sob Custódia”, produzida pelo instituto em 2025. Segundo o material, enquanto 19,3% das pessoas custodiadas relataram violências nas audiências, apenas 5,5% foram oficialmente registrados em atas. 

“Mesmo quando há registro, mais de um quarto dos casos não resulta em qualquer encaminhamento para investigação. Diante desse cenário, as organizações recomendam que o Comitê cobre dados atualizados do Estado brasileiro e questione as medidas adotadas para o cumprimento das recomendações internacionais”, declarou a entidade em nota

Em relação à precariedade da alimentação nos presídos, classificada como “pena de fome”, é destacada como uma prática estatal sistemática. Além dos casos de jejuns de até 18 horas consecutivas, o documento aponta registros de desnutrição e racionamento de água.

A terceirização da alimentação carcerária, conforme a denúncia, está presente em cerca de 60% das unidades prisionais brasileiras, resultando na transformação de um direito humano básico em objeto de interesses econômicos. 

Ao final do documento, as organizações recomendam a proibição do racionamento de água e a vedação expressa do uso da fome ou da sede como forma de punição, entre outras medidas.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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