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Harvard recebe discussão sobre ciência e impacto social no Brasil

Diversidade, Interdisciplinaridade, dados e sustentabilidade são postas como pilares de projetos científicos apresentados em painel
Painel: O papel da ciência no desenvolvimento do Brasil

— Painel: O papel da ciência no desenvolvimento do Brasil

29 de março de 2026

Harvard University, Boston (EUA) – “O papel da ciência no desenvolvimento do Brasil nunca foi tão relevante”, afirmou Kananda Eller, conhecida como a “Deusa Cientista”, durante o segundo dia da Brazil Conference. O evento reuniu pesquisadores, especialistas e líderes de diferentes áreas, todos com o objetivo de mostrar como a ciência pode gerar impacto direto na sociedade brasileira. Segundo os organizadores, o debate destacou a interdisciplinaridade como um dos caminhos mais eficazes para promover inovação e desenvolvimento no país.

Com mediação de Kananda Eller, o painel reuniu trajetórias distintas, mas com um objetivo comum: transformar a realidade por meio da ciência. Em entrevista exclusiva à Alma Preta, Kananda destacou: “Todos os participantes estão comprometidos com a produção de conhecimento que melhore a vida das pessoas. As motivações podem ser experiências pessoais, saúde pública ou questões ambientais, mas o que nos une é o impacto social”.

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Ela ainda defendeu a valorização da produção científica nacional. “Não podemos apenas importar soluções do exterior. O conhecimento produzido no Brasil precisa ser conectado a políticas públicas e ao setor privado para gerar resultados concretos”, afirmou.

Diversidade na ciência amplia inovação no Brasil

A diversidade foi outro tema central da discussão. Kananda Eller reforçou que “as perguntas científicas são influenciadas pelas vivências de quem as formula. Portanto, ampliar a presença de diferentes grupos nos espaços de decisão é essencial”. Ela explicou que a ausência de diversidade limita o olhar sobre problemas estruturais, como a falta de saneamento e infraestrutura básica. “Quando incluímos diferentes perspectivas, não só aumentamos a representatividade, como também melhoramos a qualidade da ciência produzida”, disse.

A pesquisadora chamou atenção para as desigualdades dentro da própria carreira científica: “Mulheres negras e indígenas ainda enfrentam barreiras para alcançar cargos de liderança e têm menor acesso a bolsas e financiamento. Se queremos uma ciência eficaz, precisamos garantir equidade nesses espaços”, declarou.

Engenharia e medicina: inovação científica para salvar vidas

O painel trouxe ainda experiências de interdisciplinaridade. O engenheiro Paulo Duarte Jr., que atua entre engenharia e medicina, contou sua motivação pessoal: “Passei a desenvolver soluções para cardiopatias congênitas depois que meu filho enfrentou cirurgias complexas. Muitas inovações científicas surgem fora da medicina, especialmente a partir da engenharia. Essas tecnologias podem salvar vidas, mesmo que inicialmente em pequena escala”, explicou.

Ciência de dados e educação na Amazônia

A pesquisadora Sarah Barbosa apresentou a perspectiva das desigualdades regionais, com foco na Amazônia. Em sua fala, a graduada e mestre em Estatística destaca a importância do debate sobre a ação federativa sobre a questão da edução na região. “Precisamos resolver os problemas a partir de uma perspectiva de especificidades, pois só assim vamos avançar”, completa.

De acordo com ela, “O Custo Aluno-Qualidade (CAQ) define parâmetros mínimos para a educação pública no Brasil. Sem estrutura básica, muitas turmas simplesmente não funcionam”. Ela destacou que os dados não são apenas números: “Eles refletem realidades concretas e mostram como a falta de investimento impacta diretamente a vida dos estudantes, especialmente nas regiões mais vulneráveis”.

Sustentabilidade e políticas públicas na ciência

A relação entre ciência e políticas públicas foi abordada por Alisson Moraes, que pesquisa a segurança química no Brasil. Durante sua fala, ele observa que nos últimos 30 anos, houve padrões de continuidade e interrupção nas ações governamentais. A tripla crise planetária: mudanças climáticas, perda de biodiversidade e poluição exige atenção, mas a terceira ainda recebe menos prioridade, mesmo agravando os demais problemas ambientais”.

O painel reforçou que o avanço da ciência no desenvolvimento do Brasil depende de três pilares: valorização da produção nacional, diversidade e integração entre diferentes áreas do conhecimento. Mais do que inovação tecnológica, a ciência se apresenta como uma ferramenta essencial para reduzir desigualdades e promover transformação social. Como concluiu Kananda Eller: “A ciência não é apenas um instrumento de progresso, é uma forma de transformar vidas e criar um país mais justo”.

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  • Victor Oliveira

    Jornalista formado pela Unesp e pós-graduando em Jornalismo Digital. Atualmente é Gerente de Projetos da Alma Preta Jornalismo.

  • Elaine Silva

    Possui formação em Administração de empresas e Gestão Financeira na UNIESP e Anhembi Morumbi, é responsável pela análise, gestão, controle contábil, planejamento estratégico de negócios, desenvolvimento institucional e captação de recursos para organizações e empresas. Fundadora da Black Adnetwork, Sócia Diretora da Alma Preta Jornalismo, Cofundadora do Instituto Fala, Conselheira Titular do Conselho Nacional Pela Igualdade Racial (CNPIR), Conselheira Consultiva nas organizações Tornavoz, Alafia, Sleeping Giants e DiversaCom. Diretora financeira nas empresas: Instituto Matizes, Diver.ssa e Nós Mulheres da Periferia.

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