Harvard University, Boston (EUA) – “O papel da ciência no desenvolvimento do Brasil nunca foi tão relevante”, afirmou Kananda Eller, conhecida como a “Deusa Cientista”, durante o segundo dia da Brazil Conference. O evento reuniu pesquisadores, especialistas e líderes de diferentes áreas, todos com o objetivo de mostrar como a ciência pode gerar impacto direto na sociedade brasileira. Segundo os organizadores, o debate destacou a interdisciplinaridade como um dos caminhos mais eficazes para promover inovação e desenvolvimento no país.
Com mediação de Kananda Eller, o painel reuniu trajetórias distintas, mas com um objetivo comum: transformar a realidade por meio da ciência. Em entrevista exclusiva à Alma Preta, Kananda destacou: “Todos os participantes estão comprometidos com a produção de conhecimento que melhore a vida das pessoas. As motivações podem ser experiências pessoais, saúde pública ou questões ambientais, mas o que nos une é o impacto social”.
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Ela ainda defendeu a valorização da produção científica nacional. “Não podemos apenas importar soluções do exterior. O conhecimento produzido no Brasil precisa ser conectado a políticas públicas e ao setor privado para gerar resultados concretos”, afirmou.
Diversidade na ciência amplia inovação no Brasil
A diversidade foi outro tema central da discussão. Kananda Eller reforçou que “as perguntas científicas são influenciadas pelas vivências de quem as formula. Portanto, ampliar a presença de diferentes grupos nos espaços de decisão é essencial”. Ela explicou que a ausência de diversidade limita o olhar sobre problemas estruturais, como a falta de saneamento e infraestrutura básica. “Quando incluímos diferentes perspectivas, não só aumentamos a representatividade, como também melhoramos a qualidade da ciência produzida”, disse.
A pesquisadora chamou atenção para as desigualdades dentro da própria carreira científica: “Mulheres negras e indígenas ainda enfrentam barreiras para alcançar cargos de liderança e têm menor acesso a bolsas e financiamento. Se queremos uma ciência eficaz, precisamos garantir equidade nesses espaços”, declarou.
Engenharia e medicina: inovação científica para salvar vidas
O painel trouxe ainda experiências de interdisciplinaridade. O engenheiro Paulo Duarte Jr., que atua entre engenharia e medicina, contou sua motivação pessoal: “Passei a desenvolver soluções para cardiopatias congênitas depois que meu filho enfrentou cirurgias complexas. Muitas inovações científicas surgem fora da medicina, especialmente a partir da engenharia. Essas tecnologias podem salvar vidas, mesmo que inicialmente em pequena escala”, explicou.
Ciência de dados e educação na Amazônia
A pesquisadora Sarah Barbosa apresentou a perspectiva das desigualdades regionais, com foco na Amazônia. Em sua fala, a graduada e mestre em Estatística destaca a importância do debate sobre a ação federativa sobre a questão da edução na região. “Precisamos resolver os problemas a partir de uma perspectiva de especificidades, pois só assim vamos avançar”, completa.
De acordo com ela, “O Custo Aluno-Qualidade (CAQ) define parâmetros mínimos para a educação pública no Brasil. Sem estrutura básica, muitas turmas simplesmente não funcionam”. Ela destacou que os dados não são apenas números: “Eles refletem realidades concretas e mostram como a falta de investimento impacta diretamente a vida dos estudantes, especialmente nas regiões mais vulneráveis”.
Sustentabilidade e políticas públicas na ciência
A relação entre ciência e políticas públicas foi abordada por Alisson Moraes, que pesquisa a segurança química no Brasil. Durante sua fala, ele observa que nos últimos 30 anos, houve padrões de continuidade e interrupção nas ações governamentais. A tripla crise planetária: mudanças climáticas, perda de biodiversidade e poluição exige atenção, mas a terceira ainda recebe menos prioridade, mesmo agravando os demais problemas ambientais”.
O painel reforçou que o avanço da ciência no desenvolvimento do Brasil depende de três pilares: valorização da produção nacional, diversidade e integração entre diferentes áreas do conhecimento. Mais do que inovação tecnológica, a ciência se apresenta como uma ferramenta essencial para reduzir desigualdades e promover transformação social. Como concluiu Kananda Eller: “A ciência não é apenas um instrumento de progresso, é uma forma de transformar vidas e criar um país mais justo”.