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Indígenas detidos arbitrariamente foram submetidos a condições desumanas, denunciam lideranças

Segundo a denúncia, 12 indígenas detidos, incluindo menores de idade, foram deixados sem camisa em uma sala gelada por horas
Uma faixa escrita “Autodemarcação TI Comexatibá”.

Uma faixa escrita “Autodemarcação TI Comexatibá”.

— Reprodução/Eduardo Pataxó/Cimi

26 de fevereiro de 2026

Organizações indígenas do Sul da Bahia denunciaram, em nota divulgada na quarta-feira (25), a detenção arbitrária de 12 indígenas da etnia Pataxó na Terra Indígena (TI) Comexatibá, na cidade de Prado, no extremo sul baiano.

O comunicado é assinado pelo Movimento Unido dos Povos e Organizações Indígenas da Bahia (Mupoiba), junto ao Conselho de Caciques do Território Barra Velha do Monte Pascoal e ao Conselho de Liderança e Caciques do Território Comexatibá. 

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De acordo com as entidades, na noite da terça-feira (24), os indígenas, entre eles quatro menores de idade, foram abordados na retomada Barra do Cahy e conduzidos à Delegacia Territorial de Teixeira de Freitas, e só tiveram seus depoimentos colhidos na madrugada seguinte. 

As lideranças relataram um ataque com disparos contra o território. O Coletivo de Lideranças Indígenas da TI informou que um cerco feito por fazendeiros que protestavam no local bloqueou as estradas de acesso ao distrito de Corumbau. A manifestação é acusada de associação com a extrema-direita. 

Além da detenção, apontam as organizações, os Pataxó foram deixados sem camisa em uma sala gelada durante todo o período em que aguardavam para depor, onde as autoridades se recusaram a diminuir a temperatura do ambiente. Um adolescente denuncia ter sido alvo de tortura psicológica por policiais que realizaram a operação, integrada pela Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Federal e também pela Força Nacional de Segurança Pública (FNSP). O jovem teria sido ameaçado com arma de fogo e facas para admitir a autoria dos disparos contra a terra Comexatibá. 

“Essa situação reflete o contexto de desumanização que tem sido recorrente no tratamento dado ao povo Pataxó pelas forças de segurança pública, referendado por parte da opinião pública local”, diz trecho da nota.

As lideranças reforçam que o povo Pataxó nega qualquer relação com o ocorrido e alertam para a articulação anti-indígena que veicula informações falsas e “impregnada de racismo e preconceito contra indígenas”, visando intensificar os conflitos na região. Para elas, a demora na demarcação das terras da etnia é um desrespeito reiterado aos direitos indígenas, que intensifica a violência contra o grupo. 

“Enquanto mobilizam milícias privadas que, nos últimos anos, provocaram, entre outras, as mortes de Samuel, Nawir, Gustavo e Vitor, os agressores atribuem aos Pataxó crimes que eles próprios praticam. O assim chamado movimento Invasão Zero, que surgiu, não por acaso, no sul da Bahia, tem atuado cotidianamente para destruir a reputação dos Pataxó”.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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