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Tiros, cerco e sequestro: indígenas denunciam ataques de pistoleiros em território na Bahia

Apib afirma que fazendeiros e pistoleiros bloquearam acessos e realizaram disparos contra território Pataxó no extremo sul do estado; também houve ataques em áreas de retomada
Um homem indígena de costas, usando um cocar.

Um homem indígena de costas, usando um cocar.

— Reprodução/Tiago Miotto /Cimi

25 de fevereiro de 2026

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) denunciou, na terça-feira (24), ataques coordenados em áreas da terra indígena (TI) Pataxó Comexatibá, na cidade de Prado, extremo sul da Bahia

Em carta aberta divulgada pela entidade, o Coletivo de Lideranças Indígenas da TI Comexatibá informou que, pela manhã, fazendeiros e pistoleiros bloquearam as estradas de acesso ao distrito de Corumbau, montando um cerco na região. No local, os presentes teriam realizado uma manifestação associada à extrema-direita. 

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De acordo com a Apib, o ato contou com helicópteros, motocicletas e carros. O comunicado informa que houve disparos em direção ao território Pataxó, atingindo duas pessoas ainda não identificadas. O comunicado menciona que há a possibilidade das vítimas serem turistas que transitavam pela região. 

Além da ameaça armada, foram denunciados ataques à área de retomada na Fazenda Bela Vista e ameaças à retomada na Fazenda Barra do Cahy. Relatos das comunidades indicam que uma família indígena teria sido sequestrada. 

“O que vem ocorrendo é uma escalada de ações de grupos armados e organizados por interesses privados — sobretudo fazendeiros e suas redes de comunicação — que buscam criminalizar nosso movimento e confundir a opinião pública. ⁠Repúdio à violência e apelo por proteção imediata: Reafirmamos nosso repúdio a toda forma de violência, seja ela física, simbólica ou política. A defesa da vida, da integridade física e da dignidade do nosso povo é inegociável”, diz trecho da nota.

O coletivo também pede o reconhecimento público da responsabilidade dos envolvidos nos episódios de violência e na disseminação de desinformação, incluindo fazendeiros e grupos alinhados a interesses agrários.

As lideranças também requerem a adoção de medidas emergenciais de proteção às comunidades da TI Comexatibá e às retomadas em risco. 

“A nossa mobilização é uma luta por direitos constitucionais, por justiça histórica e pela preservação de nossa cultura, de nossos modos de vida e de nossos parentes. Não aceitamos que a violência de grupos armados, o conluio de economias locais com interesses privados e a propagação de desinformação se tornem instrumentos para fragilizar a nossa luta legítima”. 

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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