A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) denunciou, na terça-feira (24), ataques coordenados em áreas da terra indígena (TI) Pataxó Comexatibá, na cidade de Prado, extremo sul da Bahia.
Em carta aberta divulgada pela entidade, o Coletivo de Lideranças Indígenas da TI Comexatibá informou que, pela manhã, fazendeiros e pistoleiros bloquearam as estradas de acesso ao distrito de Corumbau, montando um cerco na região. No local, os presentes teriam realizado uma manifestação associada à extrema-direita.
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
De acordo com a Apib, o ato contou com helicópteros, motocicletas e carros. O comunicado informa que houve disparos em direção ao território Pataxó, atingindo duas pessoas ainda não identificadas. O comunicado menciona que há a possibilidade das vítimas serem turistas que transitavam pela região.
Além da ameaça armada, foram denunciados ataques à área de retomada na Fazenda Bela Vista e ameaças à retomada na Fazenda Barra do Cahy. Relatos das comunidades indicam que uma família indígena teria sido sequestrada.
“O que vem ocorrendo é uma escalada de ações de grupos armados e organizados por interesses privados — sobretudo fazendeiros e suas redes de comunicação — que buscam criminalizar nosso movimento e confundir a opinião pública. Repúdio à violência e apelo por proteção imediata: Reafirmamos nosso repúdio a toda forma de violência, seja ela física, simbólica ou política. A defesa da vida, da integridade física e da dignidade do nosso povo é inegociável”, diz trecho da nota.
O coletivo também pede o reconhecimento público da responsabilidade dos envolvidos nos episódios de violência e na disseminação de desinformação, incluindo fazendeiros e grupos alinhados a interesses agrários.
As lideranças também requerem a adoção de medidas emergenciais de proteção às comunidades da TI Comexatibá e às retomadas em risco.
“A nossa mobilização é uma luta por direitos constitucionais, por justiça histórica e pela preservação de nossa cultura, de nossos modos de vida e de nossos parentes. Não aceitamos que a violência de grupos armados, o conluio de economias locais com interesses privados e a propagação de desinformação se tornem instrumentos para fragilizar a nossa luta legítima”.