PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Marielle Franco é usada como arma simbólica para violência política, revela pesquisa

Estudo do Instituto Marielle Franco mostra que 71% das ameaças virtuais direcionadas a mulheres envolvem morte ou estupro
Marielle Franco, vereadora assassinada no Rio de Janeiro em março de 2018.

Marielle Franco, vereadora assassinada no Rio de Janeiro em março de 2018.

— Reprodução/Arquivo/Guilherme Cunha/Alerj

26 de agosto de 2025

Mulheres negras, cis, trans, travestis, pessoas LGBTQIAPN+, moradoras de periferias, defensoras de direitos humanos, parlamentares, candidatas e ativistas são as principais vítimas de violência política no ambiente digital. Em 71% dos casos analisados, houve menções a ameaças de morte ou estupro. 

Os dados fazem parte da pesquisa “Regime de Ameaça: A Violência Política de Gênero e Raça no Âmbito Digital (2025)”, realizada pelo Instituto Marielle Franco (IMF). O estudo será lançado na quarta-feira (27), no Salão Nobre da Câmara dos Deputados, em Brasília.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

A pesquisa revela a dimensão e a gravidade dos ataques direcionados a mulheres negras no cenário político brasileiro. Os dados foram obtidos a partir de atendimentos realizados pelo Instituto Marielle Franco, em parceria com o Instituto Alziras, o portal AzMina, o coletivo Vote LGBT, o centro de pesquisa InternetLab, além de informações fornecidas pela Justiça Global e pela organização Terra de Direitos.

O estudo mostra que em 63% das ameaças de morte registradas há referências diretas ao assassinato da vereadora Marielle Franco como arma simbólica de intimidação. Segundo o levantamento, a prática evidência um padrão de violência simbólica, transformando o feminicídio político em um instrumento de opressão contra outras mulheres negras em espaços de poder.

Outro ponto do relatório também apresenta recomendações práticas, como a criação de uma Política Nacional de Enfrentamento à Violência, Política de Gênero e Raça. A proposta visa orientar ações coordenadas entre o Estado, o Legislativo, a sociedade civil e as plataformas digitais, para garantir a segurança e a participação de mulheres negras na política.

Para Luayara Franco, diretora-executiva do IMF e filha de Marielle, a pesquisa visa garantir a segurança das mulheres e responsabilizar os agressores.

“Esta pesquisa comprova, com dados, que a violência política digital contra mulheres negras não é isolada – é parte de um sistema que busca afastar essas mulheres da vida pública. Queremos que esta publicação sirva de base para ações concretas de proteção e para responsabilizar agressores e plataformas digitais”, afirma Luyara em comunicado à imprensa. 

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Thayná Santana

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano