Na noite da quinta-feira (8), faleceu em São Paulo Mãe Ana de Ogum, aos 82 anos, considerada uma das mais respeitadas lideranças do candomblé no Brasil e referência no combate ao racismo religioso.
Nascida em Valença (BA), em 7 de janeiro de 1944, Ana Maria Araújo Santos se mudou para Salvador aos nove anos e nos anos 1970 passou a viver em São Paulo. Filha de santo de Mãe Simplícia de Ogum, da Casa de Oxumarê, na capital baiana, Mãe Ana conviveu com o candomblé desde a infância e foi iniciada no culto aos orixás em 24 de maio de 1960, aos 16 anos.
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
Ialorixá do Ilê Axé Oju Onirê, localizado no Parque Jacarandá, em Taboão da Serra (SP), fundado em 1977, Mãe Ana de Ogum tornou-se referência nacional e internacional. Ao longo de décadas de trabalho, iniciou e orientou inúmeras pessoas no culto aos orixás, acompanhando filhos e filhas de santo de diversas regiões do Brasil e da Europa.
“Essa é a minha história, sou muito grata ao povo do Brasil e principalmente ao povo de São Paulo, que me estendeu a mão”, disse a liderança em entrevista à TV Odara, publicada em 2017.

Em nota, o Ilè Àse Ojú Onirè ressaltou que a história de Mãe Ana foi “sempre pautada pela harmonia, pela ética religiosa e pela boa conduta dentro do candomblé”.
“A morte de Mãe Ana de Ogum representa uma perda profunda para o povo negro, para as religiões de matriz africana e para a cultura brasileira. Sua contribuição permanece entre nós, nos ensinamentos transmitidos e nas gerações que ajudou a formar”, disse.
Em 2010, Mãe Ana foi homenageada pela Câmara Municipal de São Paulo com a Medalha Anchieta e o título de cidadã paulistana. Em 2011, ela também recebeu o Prêmio Luisa Mahin, que marca o Dia da Mulher Negra da América Latina e do Caribe na capital paulista e premia mulheres comprometidas com a valorização da cultura negra.
“Mãe Ana de Ogum construiu uma trajetória de vida que a credencia como uma das mais dignas representantes de uma das mais significativas organizações culturais afro-brasileiras, o candomblé”, declarou na cerimônia de entrega da Medalha Anchieta o então vereador Claudinho Fonseca (PPS), responsável pela homenagem.
Nas redes sociais, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, lamentou a morte da sacerdotisa e exaltou sua trajetória.
“Mãe Ana construiu sua trajetória sobre os pilares da fé e da sabedoria ancestral, tornando-se farol e fundamento para sua comunidade. Seu legado de axé, sua força e sua memória permanecerão vivos no coração de seus sucessores”, disse.