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Morre Mãe Ana de Ogum, referência do candomblé no Brasil

Sacerdotisa foi reconhecida como referência na luta contra o racismo religiosa no Brasil
A liderança religiosa Mãe Ana de Ogum, ialorixá do Ilê Axé Oju Onirê, de Taboão da Serra (SP)

A liderança religiosa Mãe Ana de Ogum, ialorixá do Ilê Axé Oju Onirê, de Taboão da Serra (SP)

— Reprodução

10 de janeiro de 2026

Na noite da quinta-feira (8), faleceu em São Paulo Mãe Ana de Ogum, aos 82 anos, considerada uma das mais respeitadas lideranças do candomblé no Brasil e referência no combate ao racismo religioso.

Nascida em Valença (BA), em 7 de janeiro de 1944, Ana Maria Araújo Santos se mudou para Salvador aos nove anos e nos anos 1970 passou a viver em São Paulo. Filha de santo de Mãe Simplícia de Ogum, da Casa de Oxumarê, na capital baiana, Mãe Ana conviveu com o candomblé desde a infância e foi iniciada no culto aos orixás em 24 de maio de 1960, aos 16 anos.

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Ialorixá do Ilê Axé Oju Onirê, localizado no Parque Jacarandá, em Taboão da Serra (SP), fundado em 1977, Mãe Ana de Ogum tornou-se referência nacional e internacional. Ao longo de décadas de trabalho, iniciou e orientou inúmeras pessoas no culto aos orixás, acompanhando filhos e filhas de santo de diversas regiões do Brasil e da Europa.

“Essa é a minha história, sou muito grata ao povo do Brasil e principalmente ao povo de São Paulo, que me estendeu a mão”, disse a liderança em entrevista à TV Odara, publicada em 2017.

Mãe Ana de Ogum recebe a Medalha Anchieta ao lado do então vereador Claudinho Fonseca (PPS), na Câmara Municipal de São Paulo, 9 de dezembro de 2010
Mãe Ana de Ogum recebe a Medalha Anchieta ao lado do então vereador Claudinho Fonseca (PPS), na Câmara Municipal de São Paulo, 9 de dezembro de 2010 (Reprodução)

Em nota, o Ilè Àse Ojú Onirè ressaltou que a história de Mãe Ana foi “sempre pautada pela harmonia, pela ética religiosa e pela boa conduta dentro do candomblé”.

“A morte de Mãe Ana de Ogum representa uma perda profunda para o povo negro, para as religiões de matriz africana e para a cultura brasileira. Sua contribuição permanece entre nós, nos ensinamentos transmitidos e nas gerações que ajudou a formar”, disse.

Em 2010, Mãe Ana foi homenageada pela Câmara Municipal de São Paulo com a Medalha Anchieta e o título de cidadã paulistana. Em 2011, ela também recebeu o Prêmio Luisa Mahin, que marca o Dia da Mulher Negra da América Latina e do Caribe na capital paulista e premia mulheres comprometidas com a valorização da cultura negra.

“Mãe Ana de Ogum construiu uma trajetória de vida que a credencia como uma das mais dignas representantes de uma das mais significativas organizações culturais afro-brasileiras, o candomblé”, declarou na cerimônia de entrega da Medalha Anchieta o então vereador Claudinho Fonseca (PPS), responsável pela homenagem.

Nas redes sociais, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, lamentou a morte da sacerdotisa e exaltou sua trajetória.

“Mãe Ana construiu sua trajetória sobre os pilares da fé e da sabedoria ancestral, tornando-se farol e fundamento para sua comunidade. Seu legado de axé, sua força e sua memória permanecerão vivos no coração de seus sucessores”, disse.

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