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Morre Mário Lisboa Theodoro, economista referência no debate sobre desigualdade racial no Brasil

Professor da UnB e ex-diretor do Ipea, autor de "A sociedade desigual", faleceu aos 69 anos em Brasília; velório ocorre nesta sexta (27)
Mário Theodoro, homem negro sorrindo, vestindo terno e gravata, em ambiente interno com pessoas desfocadas ao fundo.

Mário Theodoro, homem negro sorrindo, vestindo terno e gravata, em ambiente interno com pessoas desfocadas ao fundo.

— Pedro Moraes/Governo da Bahia

27 de fevereiro de 2026

O economista e professor da Universidade de Brasília (UnB) Mário Lisboa Theodoro morreu na quinta-feira (26), aos 69 anos, na capital federal. Doutor em Ciências Econômicas pela Université Paris I – Sorbonne, dedicou sua trajetória acadêmica e profissional ao estudo das desigualdades sociais no Brasil, com ênfase na questão racial, no mundo do trabalho e na construção democrática.

O velório será realizado na capela dez do Cemitério Campo da Esperança, em Brasília, das 14h às 16h desta sexta-feira (27).

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Autor do livro “A sociedade desigual: racismo e branquitude na formação do Brasil”, Theodoro deixa obra que se tornou referência para o pensamento social brasileiro e para a formulação de políticas públicas voltadas à igualdade social.

Mário Lisboa Theodoro formou-se em Ciências Econômicas pela UnB em 1980. Concluiu o mestrado em economia na Universidade Federal de Pernambuco em 1987 e o doutorado na Université Paris I – Sorbonne em 1998. Sua produção acadêmica especializou-se em temas como mercado de trabalho, setor informal e políticas públicas, sempre com ênfase na questão racial.

Entre 1999 e 2016, atuou como pesquisador associado da UnB. Em 2007, assumiu a direção de Cooperação e Desenvolvimento no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), cargo que ocupou até 2011. No mesmo ano, foi nomeado secretário-executivo da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR/PR). Atuou também como consultor legislativo no Senado Federal até abril de 2019.

Atualmente, era professor no Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos e Cidadania da UnB (PPGDH), com participação no Grupo de Estudo e Pesquisa em Políticas Públicas, História, Educação das Relações Raciais e de Gênero.

Legado intelectual

O Ipea divulgou nota de pesar destacando a trajetória do economista. “Ex-servidor do Instituto, tendo sido diretor de Cooperação e Desenvolvimento entre 2007 e 2011, teve trajetória marcante no serviço público, na pesquisa e no ensino, dedicando-se aos estudos sobre mercado de trabalho e desigualdades, com destaque para a questão racial”, afirmou a instituição. 

“Autor de ‘A sociedade desigual: racismo e branquitude na formação do Brasil’, deixa um legado intelectual e humano que seguirá inspirando o debate público e a produção de conhecimento no país”, continuou a homenagem.

O Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos e Cidadania da UnB também manifestou pesar. “Economista de reconhecida trajetória e referência nacional no debate sobre desigualdades, o Professor Mário Lisboa Theodoro contribuiu de forma decisiva para o pensamento social brasileiro e para a formulação de políticas públicas comprometidas com a justiça social”, registrou a coordenação do programa.


A nota acrescenta que “sua reflexão crítica e seu compromisso público deixaram marcas duradouras no debate nacional sobre desenvolvimento, racismo e direitos humanos, afirmando a centralidade da questão racial na compreensão da formação social e econômica brasileira”.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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