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Mortalidade de mulheres negras por arma de fogo é 3,2 vezes maior no Nordeste

Relatório do Instituto Sou da Paz indica que as mulheres negras foram as maiores vítimas de homicídios cometidos em vias públicas
Uma mulher segura um cartaz escrito “Parem de Nos Matar”.

Uma mulher segura um cartaz escrito “Parem de Nos Matar”.

— Reprodução/Marcelo Camargo/Agência Brasil

9 de março de 2026

Um relatório do Instituto Sou da Paz, divulgado nesta segunda-feira (9), apontou que a violência armada foi o meio utilizado em 47% das mortes de mulheres cometidas em 2024.

De acordo com a 5ª edição da pesquisa “Pela Vida das Mulheres: o Papel da Arma de Fogo na Violência de Gênero”, mesmo com uma redução de 12% nos crimes desse gênero em um período de quatro anos, os feminicídios apresentaram um salto de 10%. 

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O estudo indica que, enquanto a queda nos homicídios femininos foi de 5%, as mortes de homens reduziram 15% no mesmo intervalo, o que evidencia como a violência é experienciada de formas distintas entre os gêneros. 

A dinâmica da violência contra mulheres no Nordeste é vista como alarmante pelo levantamento. Em 2024, a região concentrou 38% dos homicídios femininos registrados no país e 51% dos casos foram cometidos com arma de fogo. 

A desigualdade racial também foi destaque na região, onde a mortalidade de mulheres negras por arma de fogo foi 3,2 vezes maior e, por outros meios, foi duas vezes maior.

No Centro-Oeste, 42% dos homicídios ocorreram por uso de arma de fogo e no Norte, 41%. As menores proporções foram observadas no Sudeste (35%) e no Sul (33%).

O homicídio de mulheres indígenas também apresentou percentuais expressivos, aponta o Instituto. Entre as 65 vítimas do último ano, 77% foram na região Norte. O Nordeste e o Centro-Oeste registraram, respectivamente, 11% dos casos. 

Ao observar o local das mortes, a pesquisa destaca que o fator é um importante diferenciador entre as mortes de mulheres negras e não negras. Nos casos de violência armada, as mulheres negras morrem mais em vias públicas (45%), em comparação com as não negras (36%).

No entanto, nos homicídios por outros meios, predomina a residência, sobretudo entre vítimas brancas, com 54% dos casos, contra 41% entre negras. 

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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