PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

MPF pede fim de cerco policial em acampamento do MST no Pará

Órgão aponta bloqueio de alimentos, água e atendimento médico a famílias do MST em acampamento no Pará
Bandeira do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra em acampamento.

Bandeira do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra em acampamento.

— Reprodução/Victor Frainer/MST

5 de maio de 2026

O Ministério Público Federal solicitou, na segunda-feira (4), em caráter de urgência, providências ao governo do estado do Pará e às demais autoridades estaduais para garantir a desobstrução do acesso a itens essenciais no acampamento Maria da Glória, em Marabá. 

O acampamento reúne cerca de mil famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e ocupa terra pública federal rural pertencente à União e ao Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O território foi formalmente destinado à reforma agrária para a criação do Projeto de Assentamento Maria da Glória.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

A área foi disputada judicialmente com uma pessoa que se denomina proprietária do local, mas a decisão favoreceu o Incra, destacando “fortes indícios de burla aos requisitos legais”.

Leia mais: Famílias do MST denunciam intoxicação por agrotóxico em área invadida por fazendeiro 

Segundo relatam movimentos sociais de defesa da reforma agrária, o acampamento encontra-se sob cerco policial, que impede a entrada de água, alimentos e medicamentos destinados às famílias assentadas. A comunidade estaria sofrendo restrições severas em decorrência de ação das forças policiais estaduais. 

O MPF informou que, além do bloqueio de suprimentos básicos e assistência de saúde, há denúncias de disparos de arma de fogo e do envolvimento de particulares armados designados por fazendeiros locais. 

Ainda de acordo com o órgão, a governadora do Pará, Hana Ghassan Tuma (MDB), publicou nas redes sociais que o envio dos agentes à região teve o objetivo de garantir o suposto “direito à propriedade” e classificou o assentamento como “invasão”.

O ofício da entidade também foi enviado ao secretário de Segurança Pública do estado, Ed-Lin Anselmo de Lima, ao comandante-geral da Polícia Militar e ao superintendente regional de Polícia Civil no município. 

Leia mais: Comunidades pesqueiras tradicionais passam a integrar o Programa Nacional de Reforma Agrária

O documento também fixa o prazo de 48 horas para que as autoridades de segurança pública encaminhem o nome do responsável pela operação policial e a cópia da ordem que autorizou o deslocamento do efetivo, junto à identificação de todos os PMs que participaram da ação.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano