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Famílias do MST denunciam intoxicação por agrotóxico em área invadida por fazendeiro 

Moradores de acampamento em Perobal, no Paraná, afirmam que a pulverização atingiu moradias e lavoura coletiva
Uma bandeira do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Uma bandeira do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

— Reprodução/Victor Frainer/MST

7 de abril de 2026

Famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Acampamento Benedito Gomes, em Perobal (PR), denunciaram um episódio de intoxicação por agrotóxico causado por um fazendeiro que ocupa a área irregularmente. 

Em nota à imprensa na segunda-feira (6), a organização informou que a aplicação do pesticida foi feita com equipamento acoplado a um trator, no dia 28 de março, e atingiu as moradias das 430 famílias que ocupam o local. 

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Moradores relatam que, logo após a dispersão do produto, cerca de 20 pessoas apresentaram irritação na garganta, tosse e dores de cabeça. Também há denúncias sobre uma possível contaminação de uma lavoura coletiva de feijão mantida pelo movimento. 

Leia mais: Indígenas denunciam intimidação policial após retomada de território contra o uso de agrotóxicos por fazendeiros

Segundo o MST, a Fazenda Tiburi, área em questão, é um imóvel público em disputa fundiária há quase duas décadas. 

Em ação civil pública, o Ministério Público Federal (MPF) identificou irregularidades na tentativa de transferência do território para um suposto proprietário, que, conforme indica o órgão, não se enquadra como agricultor familiar. 

No processo, o Ministério Público ainda destaca que o local é ocupado por um núcleo familiar de produtores de médio porte, com outras propriedades em Toledo (PR) e arrendamentos no Mato Grosso do Sul, não dependendo da área para subsistência. 

O comunicado do movimento ressalta que, em fevereiro, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) notificou os fazendeiros para deixarem a área no prazo de 30 dias, tendo autorizado apenas o direito à colheita da safra existente. 

Leia mais: Mulheres do MST ocupam áreas da Samarco em protesto por crimes ambientais da Vale

Além do MPF, a denúncia foi encaminhada à Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adepar), ao Instituto Água e Terra (IAT), ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e ao Conselho Nacional de Engenharia e Agronomia do estado. 

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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