Famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Acampamento Benedito Gomes, em Perobal (PR), denunciaram um episódio de intoxicação por agrotóxico causado por um fazendeiro que ocupa a área irregularmente.
Em nota à imprensa na segunda-feira (6), a organização informou que a aplicação do pesticida foi feita com equipamento acoplado a um trator, no dia 28 de março, e atingiu as moradias das 430 famílias que ocupam o local.
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Moradores relatam que, logo após a dispersão do produto, cerca de 20 pessoas apresentaram irritação na garganta, tosse e dores de cabeça. Também há denúncias sobre uma possível contaminação de uma lavoura coletiva de feijão mantida pelo movimento.
Segundo o MST, a Fazenda Tiburi, área em questão, é um imóvel público em disputa fundiária há quase duas décadas.
Em ação civil pública, o Ministério Público Federal (MPF) identificou irregularidades na tentativa de transferência do território para um suposto proprietário, que, conforme indica o órgão, não se enquadra como agricultor familiar.
No processo, o Ministério Público ainda destaca que o local é ocupado por um núcleo familiar de produtores de médio porte, com outras propriedades em Toledo (PR) e arrendamentos no Mato Grosso do Sul, não dependendo da área para subsistência.
O comunicado do movimento ressalta que, em fevereiro, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) notificou os fazendeiros para deixarem a área no prazo de 30 dias, tendo autorizado apenas o direito à colheita da safra existente.
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Além do MPF, a denúncia foi encaminhada à Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adepar), ao Instituto Água e Terra (IAT), ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e ao Conselho Nacional de Engenharia e Agronomia do estado.