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Mulheres negras são 86% das vítimas de feminicídio no Piauí

Boletim da SSP-PI aponta maior vulnerabilidade racial e concentração de crimes em ambiente doméstico
Ato do Dia Internacional da Mulher ocupa a praia de Copacabana, na zona sul do Rio, pedindo o fim das violências contra as mulheres.

Ato do Dia Internacional da Mulher ocupa a praia de Copacabana, na zona sul do Rio, pedindo o fim das violências contra as mulheres.

— Tomaz Silva/Agência Brasil

2 de abril de 2026

Mulheres negras são as principais vítimas de feminicídio no Piauí, de acordo com o primeiro Boletim de Dados de Feminicídio, divulgado pela Secretaria da Segurança Pública do Piauí (SSP-PI), que analisa 37 ocorrências registradas ao longo de 2025.

Os dados mostram que 78,4% das vítimas eram pardas, 8,1% pretas e 14% brancas, indicando maior incidência entre mulheres negras em comparação às brancas.

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O estudo foi elaborado com dados do Sistema de Mortes Violentas Intencionais (SISMV), produzidos pela Gerência de Análises Estatísticas (GACE) e pela Superintendência de Cidadania e Defesa Social (SUCID), com apoio técnico do Grupo de Pesquisas em Violências de Gênero e Feminicídios (GEPEFEM) e da Sala Lilás da Universidade Federal do Piauí (UFPI).

A maior concentração de vítimas está na faixa etária de 25 a 29 anos (16,22%), seguida por 30 a 34 anos (13,51%). As faixas de 15 a 19 anos e de 40 a 44 anos registraram 10,81% cada. Também houve casos entre mulheres idosas, incluindo três vítimas entre 65 e 79 anos.

O boletim evidencia o recorte racial da violência de gênero, com mulheres negras predominando na maioria das faixas etárias e mais expostas à violência letal.

Leia mais: Mulheres negras são 62,6% das vítimas de feminicídio no Brasil, aponta levantamento

Quanto aos meios utilizados, armas brancas foram as mais frequentes (34,38%), seguidas por outros instrumentos (37,50%). Armas de fogo representaram 15,63% dos casos, e o envenenamento, 12,50%.

A pesquisa aponta que 59,5% dos crimes foram cometidos por parceiros ou ex-parceiros, sendo 24,3% por ex-companheiros, 16,2% por companheiros atuais e 8,1% por cônjuges.

A maioria dos crimes ocorreu dentro de residências (59,5%), reforçando o caráter doméstico da violência. Outros 18,9% aconteceram na zona rural e 10,8% em via pública. Também houve registros em locais como centros urbanos, comércios, povoados e até em rio (2,7%).

A capital Teresina concentra o maior número de casos (24,3%), seguida por Parnaíba (16,2%). Dom Expedito Lopes aparece com 5,4%, enquanto os demais casos se distribuem por 20 municípios, com uma ocorrência cada.

Leia mais:  Feminicídios aumentam 96% no estado de São Paulo em 4 anos

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  • Thayná Santana

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