Mulheres negras são as principais vítimas de feminicídio no Piauí, de acordo com o primeiro Boletim de Dados de Feminicídio, divulgado pela Secretaria da Segurança Pública do Piauí (SSP-PI), que analisa 37 ocorrências registradas ao longo de 2025.
Os dados mostram que 78,4% das vítimas eram pardas, 8,1% pretas e 14% brancas, indicando maior incidência entre mulheres negras em comparação às brancas.
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O estudo foi elaborado com dados do Sistema de Mortes Violentas Intencionais (SISMV), produzidos pela Gerência de Análises Estatísticas (GACE) e pela Superintendência de Cidadania e Defesa Social (SUCID), com apoio técnico do Grupo de Pesquisas em Violências de Gênero e Feminicídios (GEPEFEM) e da Sala Lilás da Universidade Federal do Piauí (UFPI).
A maior concentração de vítimas está na faixa etária de 25 a 29 anos (16,22%), seguida por 30 a 34 anos (13,51%). As faixas de 15 a 19 anos e de 40 a 44 anos registraram 10,81% cada. Também houve casos entre mulheres idosas, incluindo três vítimas entre 65 e 79 anos.
O boletim evidencia o recorte racial da violência de gênero, com mulheres negras predominando na maioria das faixas etárias e mais expostas à violência letal.
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Quanto aos meios utilizados, armas brancas foram as mais frequentes (34,38%), seguidas por outros instrumentos (37,50%). Armas de fogo representaram 15,63% dos casos, e o envenenamento, 12,50%.
A pesquisa aponta que 59,5% dos crimes foram cometidos por parceiros ou ex-parceiros, sendo 24,3% por ex-companheiros, 16,2% por companheiros atuais e 8,1% por cônjuges.
A maioria dos crimes ocorreu dentro de residências (59,5%), reforçando o caráter doméstico da violência. Outros 18,9% aconteceram na zona rural e 10,8% em via pública. Também houve registros em locais como centros urbanos, comércios, povoados e até em rio (2,7%).
A capital Teresina concentra o maior número de casos (24,3%), seguida por Parnaíba (16,2%). Dom Expedito Lopes aparece com 5,4%, enquanto os demais casos se distribuem por 20 municípios, com uma ocorrência cada.
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