PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Quilombolas de Alcântara recebem título após décadas de disputa territorial

Reconhecimento de território maranhense marca avanço após condenação internacional do Brasil por violações de direitos humanos
Mulher quilombola caminhando no Quilombo Mesquita, em Brasília (DF).

Mulher quilombola caminhando no Quilombo Mesquita, em Brasília (DF).

— Reprodução/Marcelo Camargo/Agência Brasil

28 de março de 2026

Comunidades quilombolas de Alcântara, no Maranhão, receberam, na terça-feira (24), o título de parte do território tradicional, com aproximadamente 45 mil hectares. A informação foi divulgada pela Defensoria Pública da União (DPU).

O título, recebido pela Associação do Território Étnico Quilombola de Alcântara (Atequila), garante às mais de 200 comunidades que compõem a área o reconhecimento do direito coletivo à terra. 

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

A cerimônia de entrega do documento contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e também concedeu 18 Títulos de Domínio a outras dez comunidades quilombolas. 

Leia mais: Governo cria cadastro nacional de comunidades quilombolas

A decisão representa uma reparação histórica após violações decorrentes da instalação e operação do Centro de Lançamento de Foguetes (CLA) de Alcântara, inaugurado em 1983.

Em 2025, a Corte Interamericana de Direitos (CIDH) condenou o Brasil por infringir direitos humanos de 171 comunidades quilombolas maranhenses. 

À época, o documento da Corte destacou que o país descumpriu o direito à propriedade coletiva ao não titular as terras tradicionais e impor remoções forçadas, além de descumprir a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Leia mais: Em decisão inédita, Brasil é condenado por violar direitos de quilombolas na base de Alcântara (MA)

Em nota, a DPU ressaltou que a conquista é resultado de quatro décadas de resistência comunitária e enfrentamento ao racismo estrutural.

 Para o defensor público Yuri Costa, embora seja parcial, a titulação representa uma vitória para a justiça territorial. 

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano