O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) realiza nesta quarta-feira (16), uma nova audiência do processo que apura a responsabilidade de policiais militares na Chacina do Cabula. A sessão será dedicada à oitiva de testemunhas de defesa e integra a fase de instrução criminal, ainda em curso, uma década após os crimes.
A operação, realizada em 6 de fevereiro de 2015 no bairro do Cabula, em Salvador, resultou na morte de 12 jovens negros e deixou seis feridos. O caso corre sob segredo de Justiça. Em 2018, os policiais acusados chegaram a ser absolvidos, mas a decisão foi anulada após recurso do Ministério Público da Bahia (MP-BA). Os réus seguem em liberdade, e a maioria permanece na ativa.
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
A lentidão no andamento do caso tem sido criticada por familiares, organizações da sociedade civil e especialistas em segurança pública. O episódio é considerado emblemático na discussão sobre violência policial e impunidade no Brasil.
Podcast revisita o crime e conecta impunidade ao racismo estrutural
Na véspera da audiência, foi lançado o episódio final da série documental “Os 12 do Cabula“. O podcast, idealizado pelo roteirista Leo Marques com apoio da Ponte Jornalismo e da Iniciativa Negra por uma Nova Política sobre Drogas, narra em cinco episódios os desdobramentos do caso e analisa a resposta do Estado diante de mortes causadas por agentes da segurança pública.
“O podcast tenta escutar os gritos abafados por uma década de impunidade. O caso Cabula não é exceção, ele revela como o sistema de segurança pública mata muito e julga pouco”, afirma Marques à imprensa.
A produção reúne laudos, documentos e entrevistas com familiares das vítimas, sobreviventes e especialistas, como a advogada criminalista Amanda Quaresma, o historiador Dudu Ribeiro, o jornalista Genildo Lawinscky, o ativista Magno Ferreira e a representante da Justiça Global, Sandra Carvalho.
Episódio final relaciona chacina ao padrão nacional de letalidade
Intitulado “A cada 12 minutos”, o episódio de encerramento expande o foco da série ao apontar que a violência policial contra a população negra não se restringe ao Cabula. Dados do Atlas da Violência 2024 mostram que, entre 2012 e 2022, uma pessoa negra foi assassinada a cada 12 minutos no Brasil.
No total, mais de 445 mil pessoas negras foram mortas, três vezes mais do que o número de vítimas não negras no mesmo período. A série documental pode ser ouvida nas principais plataformas de streaming.