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Tribunal de Justiça da Bahia ouve testemunhas de defesa no caso Cabula

Audiência marca nova etapa do processo, dez anos após operação que matou 12 jovens negros em Salvador
Prédio do Tribunal de Justiça da Bahia.

Prédio do Tribunal de Justiça da Bahia.

— Reprodução/CNJ

15 de julho de 2025

O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) realiza nesta quarta-feira (16), uma nova audiência do processo que apura a responsabilidade de policiais militares na Chacina do Cabula. A sessão será dedicada à oitiva de testemunhas de defesa e integra a fase de instrução criminal, ainda em curso, uma década após os crimes.

A operação, realizada em 6 de fevereiro de 2015 no bairro do Cabula, em Salvador, resultou na morte de 12 jovens negros e deixou seis feridos. O caso corre sob segredo de Justiça. Em 2018, os policiais acusados chegaram a ser absolvidos, mas a decisão foi anulada após recurso do Ministério Público da Bahia (MP-BA). Os réus seguem em liberdade, e a maioria permanece na ativa.

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A lentidão no andamento do caso tem sido criticada por familiares, organizações da sociedade civil e especialistas em segurança pública. O episódio é considerado emblemático na discussão sobre violência policial e impunidade no Brasil.

Podcast revisita o crime e conecta impunidade ao racismo estrutural

Na véspera da audiência, foi lançado o episódio final da série documental “Os 12 do Cabula“. O podcast, idealizado pelo roteirista Leo Marques com apoio da Ponte Jornalismo e da Iniciativa Negra por uma Nova Política sobre Drogas, narra em cinco episódios os desdobramentos do caso e analisa a resposta do Estado diante de mortes causadas por agentes da segurança pública.

“O podcast tenta escutar os gritos abafados por uma década de impunidade. O caso Cabula não é exceção, ele revela como o sistema de segurança pública mata muito e julga pouco”, afirma Marques à imprensa.

A produção reúne laudos, documentos e entrevistas com familiares das vítimas, sobreviventes e especialistas, como a advogada criminalista Amanda Quaresma, o historiador Dudu Ribeiro, o jornalista Genildo Lawinscky, o ativista Magno Ferreira e a representante da Justiça Global, Sandra Carvalho.

Episódio final relaciona chacina ao padrão nacional de letalidade

Intitulado “A cada 12 minutos”, o episódio de encerramento expande o foco da série ao apontar que a violência policial contra a população negra não se restringe ao Cabula. Dados do Atlas da Violência 2024 mostram que, entre 2012 e 2022, uma pessoa negra foi assassinada a cada 12 minutos no Brasil. 

No total, mais de 445 mil pessoas negras foram mortas, três vezes mais do que o número de vítimas não negras no mesmo período. A série documental pode ser ouvida nas principais plataformas de streaming.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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