O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou na quinta-feira (7) que todas as universidades do país enviem ao governo dados raciais detalhados sobre seus estudantes, como forma de comprovar que não utilizam a raça como critério em seus processos seletivos.
A medida reforça a campanha do governo republicano contra as chamadas “ações afirmativas” no ensino superior, intensificada desde o retorno de Trump à presidência em 2025. A ordem executiva exige que as instituições ampliem suas obrigações de transparência perante o National Center for Education Statistics, o órgão nacional responsável por dados educacionais. Os detalhes da nova exigência ainda serão definidos.
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A decisão presidencial se baseia em uma sentença da Suprema Corte de 2023, que considerou inconstitucional a consideração explícita da raça nas admissões universitárias. No entanto, a Corte permitiu que os candidatos incluíssem, em suas redações, experiências pessoais ligadas à questão racial — algo que Trump e aliados consideram uma brecha que mantém as políticas de diversidade de forma indireta.
“Há uma persistente ausência de dados disponíveis, combinada com o uso desenfreado de declarações de diversidade e outros artifícios raciais ocultos, o que continua a levantar preocupações sobre a real utilização da raça nas admissões”, afirmou Trump em memorando oficial.
Cortes orçamentários e punições a universidades
Trump tem usado o termo “wokismo” para descrever o que considera excessos ideológicos das universidades em relação a temas como racismo, diversidade e inclusão. O presidente também revogou políticas de diversidade, equidade e inclusão (conhecidas pela sigla DEI) na administração pública federal. Segundo ele, tais programas discriminam pessoas brancas e perpetuam “hierarquias raciais perigosas”.
“Maior transparência é essencial para expor práticas ilegais e, em última instância, eliminar hierarquias raciais vergonhosas”, escreveu o presidente.
Desde janeiro, a administração republicana reduziu verbas para pesquisas científicas e condicionou o repasse de fundos federais a mudanças curriculares e administrativas nas universidades, com foco especial em instituições consideradas liberais. A Universidade Columbia, por exemplo, foi alvo direto do governo, após protestos pró-Palestina no campus.
A instituição perdeu acesso a centenas de milhões de dólares em financiamento federal e teve dezenas de pesquisadores demitidos após congelamento de verbas de laboratório. Columbia também teve de pagar US$ 200 milhões ao governo, além de US$ 21 milhões adicionais, como parte de um acordo para encerrar uma investigação sobre alegações de antissemitismo.
Como parte do mesmo acordo, Columbia e a Universidade Brown aceitaram entregar dados detalhados sobre raça, notas e exames de seus alunos.