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Trump exige que universidades  revelem dados raciais de alunos para comprovar imparcialidade em admissões

Medida amplia ofensiva contra ações afirmativas e programas de diversidade nas instituições de ensino superior estadunidenses
O presidente Donald Trump gesticula enquanto assina a Proclamação do Dia Nacional do Coração Púrpura durante um evento para homenagear os agraciados com a Medalha Coração Púrpura no Salão Leste da Casa Branca, em 7 de agosto de 2025, em Washington, DC.

O presidente Donald Trump gesticula enquanto assina a Proclamação do Dia Nacional do Coração Púrpura durante um evento para homenagear os agraciados com a Medalha Coração Púrpura no Salão Leste da Casa Branca, em 7 de agosto de 2025, em Washington, DC.

— Anna Moneymaker/Getty Images via AFP

8 de agosto de 2025

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou na quinta-feira (7) que todas as universidades do país enviem ao governo dados raciais detalhados sobre seus estudantes, como forma de comprovar que não utilizam a raça como critério em seus processos seletivos.

A medida reforça a campanha do governo republicano contra as chamadas “ações afirmativas” no ensino superior, intensificada desde o retorno de Trump à presidência em 2025. A ordem executiva exige que as instituições ampliem suas obrigações de transparência perante o National Center for Education Statistics, o órgão nacional responsável por dados educacionais. Os detalhes da nova exigência ainda serão definidos.

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A decisão presidencial se baseia em uma sentença da Suprema Corte de 2023, que considerou inconstitucional a consideração explícita da raça nas admissões universitárias. No entanto, a Corte permitiu que os candidatos incluíssem, em suas redações, experiências pessoais ligadas à questão racial — algo que Trump e aliados consideram uma brecha que mantém as políticas de diversidade de forma indireta.

“Há uma persistente ausência de dados disponíveis, combinada com o uso desenfreado de declarações de diversidade e outros artifícios raciais ocultos, o que continua a levantar preocupações sobre a real utilização da raça nas admissões”, afirmou Trump em memorando oficial.

Cortes orçamentários e punições a universidades

Trump tem usado o termo “wokismo” para descrever o que considera excessos ideológicos das universidades em relação a temas como racismo, diversidade e inclusão. O presidente também revogou políticas de diversidade, equidade e inclusão (conhecidas pela sigla DEI) na administração pública federal. Segundo ele, tais programas discriminam pessoas brancas e perpetuam “hierarquias raciais perigosas”.

“Maior transparência é essencial para expor práticas ilegais e, em última instância, eliminar hierarquias raciais vergonhosas”, escreveu o presidente.

Desde janeiro, a administração republicana reduziu verbas para pesquisas científicas e condicionou o repasse de fundos federais a mudanças curriculares e administrativas nas universidades, com foco especial em instituições consideradas liberais. A Universidade Columbia, por exemplo, foi alvo direto do governo, após protestos pró-Palestina no campus.

A instituição perdeu acesso a centenas de milhões de dólares em financiamento federal e teve dezenas de pesquisadores demitidos após congelamento de verbas de laboratório. Columbia também teve de pagar US$ 200 milhões ao governo, além de US$ 21 milhões adicionais, como parte de um acordo para encerrar uma investigação sobre alegações de antissemitismo.

Como parte do mesmo acordo, Columbia e a Universidade Brown aceitaram entregar dados detalhados sobre raça, notas e exames de seus alunos.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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