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Universidade de Sergipe é condenada por omissão em fraude às cotas raciais

Ação do MPF destaca mais de oito anos da instituição de ensino na fiscalização da política de ações afirmativas
Campus da Universidade Federal de Sergipe (UFS), na cidade de Lagarto (SE).

Campus da Universidade Federal de Sergipe (UFS), na cidade de Lagarto (SE).

— Reprodução/Adilson Andrade/Ascom UFS

7 de outubro de 2025

A Justiça Federal condenou, na última segunda-feira (6), a Universidade Federal de Sergipe (UFS) a recompor as vagas de cursos de graduação reservadas a cotas étnico-raciais. A ação civil pública, iniciada pelo Ministério Público Federal (MPF), aponta omissão da instituição na fiscalização da política afirmativa.

O processo, ajuizado em 2023, destaca que a UFS se ausentou das responsabilidades por mais de oito anos. Nesse período, o ingresso pelo sistema de cotas foi feito apenas por meio de autodeclaração, sem procedimentos de verificação.

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Em 2020, um inquérito realizado pelo MPF apurou que, devido a demora da universidade em fiscalizar as cotas, alunos brancos ocuparam as vagas reservadas aos estudantes negros e indígenas, com maior concentração nos cursos mais concorridos. 

Segundo o órgão, de 2016 a 2020, foram contabilizados 144 casos, nos quais mais de 50% ocorreram nos cursos de medicina e odontologia. A UFS iniciou a aplicação da Lei de Cotas (nº 12.711/2012) em 2013, porém, só implementou as primeiras Comissões de Heteroidentificação presenciais em 2021. 

A sentença da Justiça Federal também determina a reposição das vagas liberadas por desistência do curso pelo aluno investigado, além de obrigar a UFS a preencher essas vagas por meio de processo seletivo especial e exclusivo aos candidatos pretos, pardos e indígenas.  

Mesmo com decisão favorável, o Ministério Público recorreu ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5), buscando a ampliação da condenação.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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