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Vôlei Guarulhos cria selo antirracista após atleta sofrer ofensas racistas

Clube busca combater racismo após Manuel Armoa ser atacado em partida contra o Sesi Bauru; ação será apresentada antes do jogo contra o Joinville no sábado (20)
O elenco do Vôlei Guarulhos no jogo disputado no Diário da Ponte Grande, em Guarulhos, no dia 30 de novembro de 2025.

O elenco do Vôlei Guarulhos no jogo disputado no Diário da Ponte Grande, em Guarulhos, no dia 30 de novembro de 2025.

— Reprodução/Vôlei Guarulhos

19 de dezembro de 2025

Após um caso de racismo contra o ponteiro Manuel Armoa, o Vôlei Guarulhos anunciou que lançará neste sábado (20) um selo antirracista para reforçar o combate ao racismo dentro e fora das quadras.  A ação será apresentada no Ginásio da Ponte Grande, antes da partida contra o Joinville Vôlei, às 18h30.

Segundo o clube guarulhense, a iniciativa é uma resposta ao caso ocorrido no último sábado (13), na partida vencida pelo Sesi Bauru por 3 sets a 2. O argentino Armoa, maior pontuador do Vôlei Guarulhos na disputa, foi alvo de ataques racistas por parte de um torcedor do clube adversário, que o chamou de “mono, chora”, expressão que significa “chora, macaco”, em espanhol.

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Em comunicado, o clube informou que agiu rapidamente para identificar o agressor, que fugiu do local. Membros do clube conseguiram anotar a placa do veículo utilizado e o supervisor técnico, Daniel Jorge Jr., se dirigiu à delegacia para registrar um boletim de ocorrência.

Para o presidente esportivo do Vôlei Guarulhos, Anderson Marsili, o episódio reforça a necessidade de posicionamento firme contra o racismo.

“Sempre estivemos comprometidos em defender a justiça social. O esporte não deve dar espaço para o ódio, a discriminação, o preconceito e a violência. O racismo fere atletas, familiares, torcedores, profissionais e compromete os valores que sustentam o esporte como ferramenta de transformação social”, disse em nota à imprensa.

Além do lançamento do selo, a ação também busca conscientizar sobre o papel do esporte como espaço de convivência, diversidade e respeito. Antes do jogo, haverá a leitura de um manifesto antirracista.

Confederação Brasileira de Voleibol e Sesi Bauru se manifestaram sobre o caso

A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) e o Sesi Bauru também se manifestaram. A CBV informou que está encaminhando aos órgãos competentes documentos como o relatório do delegado da partida, imagens e depoimentos de atletas, testemunhas e clubes envolvidos, para adoção de medidas nas esferas esportiva, ética e junto ao poder público.

A entidade destacou ainda que, em 2024, endureceu os regulamentos das Superligas A e B, classificando atos discriminatórios como infração gravíssima, passível de sanções como multa, perda de pontos, suspensão, perda de mando de quadra e até eliminação da competição. “A CBV tem publicado em seu site o “Procedimento de prevenção e combate à prática de atos discriminatórios nas competições organizadas pela CBV”, acrescentou.

Segundo a nota, a CBV reiterou que, durante as partidas da Superliga, o clube mandante deve utilizar o sistema de som para alertar que a prática de atos discriminatórios “configura crime e que o torcedor que insistir na prática pode ser punido, assim como seu clube”.

Já o Sesi Bauru, mandante da partida, manifestou em nota solidariedade ao atleta do Vôlei Guarulhos e afirmou que, uma vez confirmada a identidade do agressor, ele será banido de jogos e impedido de acessar qualquer unidade do clube.

“O responsável pelo ato está em processo de identificação. Uma vez confirmado seu envolvimento, será banido de jogos e impedido de acessar qualquer unidade, evento ou espaço do Sesi-SP, que permanece à disposição das autoridades policiais para colaborar com os esclarecimentos necessários”, afirmou.

Com informações do Observatório da Discriminação Racial do Futebol

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  • Thayná Santana

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