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Filme sobre herança escravocrata na arquitetura tem sessões especiais no Rio, BH e Salvador

Documentário de Karol Maia parte do "quarto de empregada" para investigar heranças da escravidão; filme reúne relatos de mulheres de quatro estados
Cena do documentário "Aqui não entra luz".

Cena do documentário "Aqui não entra luz".

— Divulgação/Embaúba Filmes

6 de maio de 2026

O documentário “Aqui não entra luz”, da diretora Karol Maia, realiza sessões especiais de estreia no Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Salvador entre os dias 7 e 9 de maio. O filme parte do “quarto de empregada”, espaço recorrente em casas e apartamentos brasileiros, para investigar como a arquitetura foi projetada para segregar corpos e sustentar hierarquias sociais.

A diretora interpreta o cômodo como uma continuidade simbólica da lógica da senzala e da Casa Grande. Pequeno, isolado e frequentemente mal iluminado, o espaço revela como estruturas históricas de desigualdade permanecem naturalizadas na arquitetura e no cotidiano.

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No Rio de Janeiro, a sessão será na quinta-feira (7), às 20h30, no Estação NET Rio. O evento conta com bate-papo após a exibição. Participam a diretora Karol Maia, a atriz Cristiane Graciano (uma das personagens do filme), a pesquisadora e professora Juliana Teixeira e a historiadora Carolina Rocha como mediadora.

Em Belo Horizonte, a sessão especial ocorre na sexta (8), às 20h10, no UNA Cine Belas Artes. O debate reúne Karol Maia, Rosarina (uma das personagens), o padre Mauro (curador do Museu Muquifu) e a professora e pesquisadora Tatiana Carvalho como mediadora.

Já em Salvador, a sessão está marcada para o sábado (9), no Circuito Saladearte do Museu. A programação completa da capital baiana ainda será divulgada.

Leia mais: Documentário revela como ideia da senzala sobrevive na arquitetura brasileira

Trabalho doméstico como espinha dorsal do país

Filha de uma ex-trabalhadora doméstica, Karol Maia conduz a narrativa em primeira pessoa. A diretora percorre quatro estados brasileiros historicamente marcados pela escravidão. Ela reúne relatos de mulheres que viveram nesses espaços. 

O resultado é um documentário que articula memória, escuta e experiência pessoal para dar visibilidade a trajetórias marcadas por exploração, mas também por resistência, afeto e luta por direitos.

“Eu acredito que o ‘Aqui não entra luz’ é um filme sobre a história do Brasil porque, sem o trabalho doméstico, sem as trabalhadoras domésticas, sem as amas de leite, sem as babás, esse país sequer existiria como é hoje. O trabalho doméstico é uma espinha dorsal do Brasil. O trabalho doméstico está no nosso imaginário, mas também está no cotidiano”, afirma a diretora à Rádio Brasil de Fato.

O filme constrói um mosaico sobre o trabalho doméstico no Brasil, atividade exercida majoritariamente por mulheres negras e ainda marcada pela informalidade e precarização.

Os ingressos para as sessões no Rio e em Belo Horizonte estão disponíveis nas bilheterias e sites dos cinemas. 


Leia mais: Proibição do termo ‘quarto de empregada’ avança na Câmara

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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