A exposição-performática “Mandingueira” marca uma década de criação da artista cearense e travesti Pedra Silva. A mostra chega ao Galpão Bela Maré, no Rio de Janeiro, no dia 6 de dezembro, com curadoria de Eduardo Bruno, reunindo obras, vídeos, instalações e performances que evocam os caminhos rituais, corporais e espirituais que atravessam sua pesquisa.
A chegada da exposição ao Rio representa um passo significativo na trajetória da artista. Pedra mantém sua produção enraizada no Ceará, fortalecendo uma cena que cresce para além do eixo hegemônico. Nesse caminho, a presença de artistas travestis nordestinas em instituições culturais amplia debates sobre desigualdades estruturais na arte. A circulação de sua obra pelo país também se intensifica: além de apresentar Mandingueira na Maré, território de produção artística e resistência, a artista integra a exposição coletiva da Casa Brasil, onde exibe a instalação “Santuário”, em cartaz até março de 2026.
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Pedra é macumbeira, arte-educadora e pesquisadora das encruzilhadas. Desde 2015, constrói uma poética orientada pelas estéticas de terreiro, por um pensamento anticolonial e por uma escuta profunda das tradições afro-brasileiras. Diretora artística da Plataforma M’kumba, articula linguagens como escultura, instalação, fotoperformance, vídeo e ações rituais, fazendo do corpo um território de memória, encantamento e reexistência.
A exposição como campo de força, rito e encantamento
Mandingueira propõe um mergulho nas zonas do encantamento, transformando o espaço expositivo em um campo de forças, um terreiro simbólico onde corpo, rito e matéria se entrelaçam em gestos de cura, oferenda e continuidade. A mostra nasce da pesquisa Criação M’Kumba, metodologia poética concebida pela artista a partir da escuta dos terreiros e das cosmologias afro-brasileiras, compreendendo esses espaços como territórios de aprendizado e invenção.
Entre instalações, esculturas, vídeos e ativações performáticas, Pedra faz da travessia uma prática espiritual e política. O corpo aparece como território de memória e transformação, evocando forças ancestrais que desobedecem às narrativas coloniais e reconfiguram a própria ideia de exposição.

A abertura contará com participações inéditas do Ébó de Fumaça. A ação, apresentada pela primeira vez em Fortaleza durante a abertura da exposição no Museu de Arte Contemporânea do Ceará (MAC-CE), é um rastro da aparição “Defumação para Afastar o Alzheimer Colonial”. Criada por Pedra Silva em diálogo com seus irmãos de santo do Abassá de Omolu Ilé de Iansã, a performance funciona como um ritual de ativação da mostra e, desta vez, se expande em parceria com artistas do território do Rio de Janeiro.
O projeto conta com apoio da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, por meio do 14º Edital das Artes, o mais tradicional do estado. O fomento permitiu estruturar uma equipe majoritariamente composta por pessoas negras, trans, travestis e mulheres, reforçando o compromisso político e ético que atravessa toda a metodologia da artista.
A mostra no Rio de Janeiro é resultado de um intercâmbio entre projetos artísticos da região Nordeste, com apoio da Funarte a partir do Observatório de Favelas do Rio de Janeiro, por meio do Galpão Bela Maré, espaço dedicado à difusão, produção, mobilização, formação e fruição das artes e das expressões culturais em suas diversas manifestações, articulando a produção artística periférica ao circuito da arte contemporânea do país.
Serviço
Exposição “Mandigueira”, de Pedra Silva, com curadoria de Eduardo Bruno
Abertura ao público e aparição Ebó de Fumaça: 6 de dezembro às 13h, aparição às 16h
Período de visitação: de 9 de dezembro de 2025 a 12 de fevereiro de 2026
Horário: terça a sábado, das 10h às 18h
Local: Galpão Bela Maré – Rua Bitencourt Sampaio, Maré, Rio de Janeiro – RJ
Acesso: Passarela 10 da Av. Brasil – BRT Rubens Vaz
Entrada gratuita
Veja como chegar no site.