PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Encontro de jongueiros vai transformar praça no centro do Rio em quilombo

Evento celebra os 20 anos do Jongo como Patrimînio Cultural Imaterial do Brasil
Dança de jongo.

Dança de jongo.

— Karen Eppinghaus/Divulgação

10 de agosto de 2025

Em 2005, o jongo foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Para comemorar os 20 anos desse título e avaliar os resultados do plano de salvaguarda do gênero musical coreográfico afro-brasileiro, considerado um dos pais do samba carioca, lideranças de comunidades jongueiras criaram um calendário de festas, eventos e projetos comemorativos. A próxima será na Semana do Patrimônio Histórico Nacional, reunindo cerca de 400 jongueiros, originários de 18 comunidades de jongo do Rio e de São Paulo.

Uma programação gratuita marcará o Encontro de Jongueiros, a ser realizado entre os dias 14 e 16 de agosto (de quinta a sábado), na Praça Tiradentes, Centro do Rio, ao lado das comunidades de jongo do interior. Estão previstas rodas de jongo, shows de samba, oficinas com mestres, um seminário no Teatro Carlos Gomes e uma exposição fotográfica na praça.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

Serão lançados também três projetos liderados pela lendária Mestra Fatinha, do Jongo de Pinheiral, sob a direção do músico, pesquisador e produtor cultural Marcos André: o Museu do Jongo (que será um portal com mais de 5 mil fotos e vídeos sobre comunidades de jongo) e os curtas-metragens “Jongo do Vale do Café”, que vai revelar as raízes do jongo e do local onde ele nasceu durante a escravidão, e “Mestres do Patrimônio Imaterial do Estado do Rio”. Ambos os filmes serão exibidos ao público pela primeira vez.

Também conhecido como caxambu, o jongo é uma dança de roda cujas matrizes vieram de Angola, trazidas pelos negros escravizados da nação Bantu para as fazendas de café do Vale do Rio Paraíba. O seu gingado riscou o chão de terra batida das senzalas da região até que, com a abolição, a dança desceu a serra e se instalou no alto das favelas cariocas, trazida pelos futuros fundadores das escolas de samba. Alguns núcleos familiares permaneceram na região, fincaram raízes e originaram quilombos no Vale do Café, onde o jongo é preservado em toda a sua essência e tradição original.

Praça Tiradentes vai virar quilombo

O evento começa na quinta (14) a partir das 10h, com um seminário comemorativo no Teatro Carlos Gomes. A mesa de abertura, “Pesquisas, inventários e registros sobre o jongo e o Vale do Café”, será composta por grandes pesquisadores e especialistas sobre o tema, entre eles Raquel Valença (pesquisadora e integrante da Velha Guarda do Império Serrano), Hebe Mattos e Martha Abreu (do Laboratório de História Oral da UFF),  Dr. Julio José Araujo Junior (Procurador da República), Paulo Dias (fundador do Instituto Cachuera, de São Paulo), Eleonora Gabriel (UFRJ), Elaine Monteiro (UFF) e Rodrigo Nunes, jongueiro do Morro da Serrinha e produtor cultural.

Mais duas mesas estão agendadas para este dia: “Mestras e mestres – Avaliação dos 20 anos de registro do Jongo e prospecções sobre o futuro das comunidades”, às 11h30, com a participação  de mestres dos grupos de Pinheiral, Pádua, Campos, Quilombo São José – Valença, Barra do Piraí, Natividade, Quissamã, Magé e Piraí e do babalorixá e produtor Pai Dário do Morro da Serrinha; e “A contribuição bantu para a formação da cultura do Rio e do Vale do Café”, às 14h30, com a participação da primeira doutora negra do Brasil, Helena Theodoro, do babalaô Ivanir dos Santos, do professor e escritor Luiz Rufino e Marcos André.

Ainda na quinta, às 16h, haverá dois lançamentos simultâneos: do projeto Museu do Jongo e do curta-metragem “Jongo do Vale do Café”. O Museu do Jongo é uma realização do Jongo de Pinheiral e do Jongo do Vale do Café, e reunirá, num portal, cerca de 5 mil fotos, áudios e vídeos inéditos e artigos sobre comunidades de jongo, fruto de uma pesquisa de 30 anos de Marcos e das lideranças jongueiras envolvidas.

Na sexta (15), das 10h às 18h, o evento prossegue com um dia inteiro de oficinas com mestres e mestras de jongo, com inscrições gratuitas via plataforma Sympla “Encontro de Jongueiros”. Ao todo, serão ministradas quatro oficinas pelos próprios mestres das comunidades de jongo, ao longo do dia, no Museu da República e na sede do Iphan, Centro do Rio.

As atividades de sábado (16) começam às 10h30, com a palestra “Políticas de salvaguarda para o jongo”, no palco do Teatro Carlos Gomes, com a presença de representantes do Ministério da Cultura, do Iphan, da Secretaria de Estado de Cultura Economia Criativa do Rio de Janeiro, da Secretaria Municipal de Cultura do Rio, e das prefeituras da região do Vale do Café.

Às 15h, começam as rodas de jongo com cerca de 400 jongueiros advindos de 18 grupos tradicionais, transformando a Praça Tiradentes em um grande quilombo de jongo. Para encerrar a celebração, o célebre grupo Samba de Caboclo vai se apresentar a partir das 19h, chamando o público para entrar na roda – desta vez, de samba, numa grande catarse coletiva, com os 400 líderes de jongo presentes.

O evento conta com incentivo da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado do Rio, do Governo do Estado, da Prefeitura do Rio de Janeiro através da Secretaria Municipal de Cultura pelo edital Pró-Carioca, programa de fomento à cultura carioca e do Ministério da Cultura, por meio da Lei Aldir Blanc e conta com o apoio do IPHAN.

Fazem parte da realização do Encontro de Jongueiros a Rede de Jongo do Vale do Café, a Rede de Patrimônio Imaterial do Estado do Rio, o Jongo de Pinheiral, a Companhia de Aruanda, o Rio Criativo, o CREASF – Centro de Referência Afro do Sul Fluminense, o Instituto Floresta e Pai Dário Onisegun.

Confira a programação completa no Instagram.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • A Alma Preta é uma agência de notícias e comunicação especializada na temática étnico-racial no Brasil.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano