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Esculturas de guerreiras negras compõem exposição imersiva em Salvador

Com obras monumentais e ambientação sonora, mostra homenageia a potência de mulheres negras em narrativas visuais
Mostra “Òná Ìrin: Caminho de Ferro”.

Mostra “Òná Ìrin: Caminho de Ferro”.

— Thales Leite

27 de julho de 2025

O Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB), localizado em Salvador (BA), estendeu o período de visitação à mostra “Òná Ìrin: Caminho de Ferro”, da artista Nádia Taquary. Em cartaz até o dia 10 de agosto, a instalação conduz os visitantes à uma experiência imersiva pela memória afro-brasileira nas Américas.

Com curadoria de Marcelo Campos, Amanda Bonan e de Ayrson Heráclito, a exposição propõe uma travessia simbólica e concreta pelas encruzilhadas da experiência negra, conduzida por esculturas, trilhos, espelhos e elementos da cultura material afro-brasileira.

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As obras exaltam figuras femininas que, ao longo do tempo, contribuíram de forma decisiva para a construção de diferentes sociedades, com destaque para a produção de conhecimento, de cultura e de transformação social promovida por essas mulheres.

A atmosfera sensível, provocada pela iluminação suave à penumbra, convida o espectador à caminhar junto às linhas férreas que se perpetuam por caminhos para além da visão, provocadas pela amplitude do espelhamento no local. Logo na entrada, o público se depara com símbolos afro-brasileiros e escolhe seu caminho: à direita, segue em direção à sala Ego com as guerreiras Geledés e a instalação Abre-caminhos com balangandãs; à esquerda, encontra as Yabás e a sala do Oríkì (cântico ancestral) em tributo a Ogum. As linhas férreas e os espelhos criam um ambiente de deslocamento contínuo, onde o corpo do visitante torna-se parte ativa da instalação.

A força poética da exposição também homenageia às Ìyàmi Aje, figuras míticas que representam o poder feminino. Enquanto passeiam e integram o espaço, as linhas férreas conduzem o público à refletir sobre a poética em movimento, encruzilhadas pela comunicação e tecnologia. Trabalhando o fluxo ferroviário como metáfora às encruzilhadas da vida, as discussões sobre o poder feminino retornam ao imaginário popular, após a assinatura única e perspicaz de Taquary. 

A ambientação ainda traz esculturas de mulheres aladas e sereias, como a representação de Iemanjá, além do apelo às joalherias afro-brasileiras;  reforçando a conexão dos poderes femininos com a identidade, poder, resistência e a ancestralidade de mulheres negras no Brasil.

A vinda da exposição ao público baiano se deu por meio da seleção feita por Jamile Coelho, diretora artística do MUNCAB, responsável por conceber a programação da instituição. O museu combina mostras inéditas com projetos itinerantes, reforçando seu compromisso com a difusão e valorização das artes negras no Brasil.

“É uma exposição que não apenas impacta o olhar, mas transforma a escuta, a percepção e o entendimento sobre o papel das mulheres negras na construção da sociedade”, afirma Coelho. “As pessoas saem daqui emocionadas, muitas vezes em silêncio, como quem passou por um rito de reconhecimento — de si e de outras”. 

A paisagem sonora, assinada por Tiganá Santana e interpretada por Virgínia Rodrigues, aprofunda a experiência sensorial da mostra e amplia a imersão nas narrativas apresentadas pelas obras.

Serviço

Mostra “Òná Ìrin: Caminho de Ferro”

Local: MUNCAB (Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira) – Rua das Vassouras, 25, Centro Histórico de Salvador, Bahia

Visitas: até domingo, 10 de agosto, das 10h às 17h (acesso até às 16h30)

Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia)

Gratuidade: Quartas-feiras e domingos

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