PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Festival do Dendê celebra cultura e gastronomia afro-brasileira na Bahia

Quinta edição do evento na cidade de Camaçari terá oito dias de gastronomia, atividades culturais e o intercâmbio de saberes com chefs franceses, estadunidenses e brasileiros
A chef Solange Borges, idealizadora do Festival do Dendê.

A chef Solange Borges, idealizadora do Festival do Dendê.

— Fernanda Maia

28 de fevereiro de 2026

A ancestralidade e a cultura afro-brasileira ganham destaque entre os dias 4 e 11 de março, durante a 5ª edição do Festival do Dendê, idealizado pela chef Solange Borges, em Camaçari (BA). A culinária típica do dendê, urucum e da mandioca compõe pratos assinados por mais de 20 chefs nacionais e internacionais, que consagram a importância histórica do dendê como elemento vivo em África e no Brasil.

O quinto ano do festival faz parte do projeto Culinária de Terreiro, que atua há 12 anos na região de Camaçari. Nesta edição, o roteiro também atravessa a localidade de Monte Gordo e do Quilombo do Kaonge, com a expectativa de um time de estrelas conduzindo os pratos e vivências gastronômicas. 

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

Para este encontro, a cozinha camaronesa, nigeriana, marfinesa, colombiana e brasileira se juntam para os mais variados pratos de dendê feitos no pilão e no fogão a lenha. A culinária típica é comandada por cozinheiras renomadas como Marie Joseǵe, Sandra Rocha Evanoff, Débora Cavalcanti, Adenike Abisola Adefila, Olivia de Souza, Antonuela Ariza, Elsis Valencia; o camaronês Axel Mbetcha, e o chef Alex Atala (D.O.M.). 

A cerimônia oficial de abertura do evento contará com o lançamento do livro “Festival do Dendê”. Para Solange, a obra representa um marco na história do evento, consolidando uma trajetória construída à mão e temperada pelo fruto da palmeira originária da África. 

“Quando fiz meu TCC na faculdade, escrevi sobre a representação do candomblé nos livros didáticos, mas naquela época, não encontrei nenhum autor negro que tratasse do tema. Não havia abertura para esse debate. Eu finalizei e entreguei meu TCC com isso em mente, e desde lá, tenho incentivado as pessoas à escrever suas próprias histórias. Precisamos registrar nossos saberes, assumir o protagonismo e construir as nossas próprias narrativas. Daí veio a vontade de fazer um livro com as receitas do festival, contar como tudo foi criado, como foi construído. Já chega de sermos apenas citados, sem que haja o verdadeiro protagonismo das comunidades. Cada vez mais acredito que é preciso ocupar esse lugar de autoria e memória”, comenta. 

Serão oito dias ao lado de chefs franceses, estadunidenses e de diversas etnias para uma programação rica em culinária e no intercâmbio de saberes. O jantar de encerramento com os chefs continua como um dos destaques da edição, reunindo os cozinheiros Alex Atala (primeiro chef a ter duas estrelas Michelin no Brasil), Solange Borges e outros nomes consagrados da culinária brasileira para uma noite de celebração, cultura e gastronomia. 

Para conferir a programação completa do Festival do Dendê, acesse o site.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • A Alma Preta é uma agência de notícias e comunicação especializada na temática étnico-racial no Brasil.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano