Estreia nos cinemas brasileiros em 7 de agosto o filme “A Melhor Mãe do Mundo”, de Anna Muylaert, que conta a história de Gal (Shirley Cruz), uma mulher que vive da coleta de materiais recicláveis e precisa se libertar da violência doméstica imposta por seu companheiro, Leandro (Seu Jorge). Movida principalmente para livrar seus filhos de um ambiente de violência, ela decide fugir com eles, Rihanna (Rihanna Barbosa) e Benin (Benin Ayo), iniciando uma trajetória repleta de desafios pelas ruas de São Paulo.
O que inicialmente parece ser apenas uma fuga, transforma-se em uma jornada de coragem e resistência, impulsionada pelo instinto de proteger a infância e a esperança de seus filhos.
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A cineasta Anna Muylaert já retratou a maternidade em outros longas ao decorrer de sua carreira no cinema. Filmes como “Mãe só há uma”, “E além de tudo me deixou mudo o violão”, “Que Horas Ela Volta” e “Durval Discos” possuem este elemento em comum da maternidade. Sobre esta temática e como ela é abordada no novo longa, a diretora diz que “essas mães são bem diferentes umas das outras. Entre todas elas, acho que a Gal é a que tem uma situação mais vulnerável, mas sem dúvida é a mãe mais madura, com mais autoestima e a que enfrenta a vida com mais coragem, responsabilidade e fé. Acho que a Gal é a melhor mãe do mundo”.
Mãe na vida real, Shirley Cruz compartilha com Muylaert as adversidades e os prazeres da maternidade, o que as uniu fortemente em “A Melhor Mãe do Mundo”. Mas além disso, a atriz precisava colocar em tela não só uma mãe, mas uma catadora de materiais recicláveis e, durante sua pesquisa, se tornou amiga de muitas catadoras, o que a auxiliou na construção da Gal.
A artista lembra que “fiquei amiga de muitas delas, bebi direto da fonte. Essa troca me inundou de amor e me trouxe a revolta como uma das principais ferramentas para esse trabalho. Foi um divisor de águas para compor a Gal”.
O filme, distribuído pela +Galeria, conta com vários artistas musicais em seu elenco. Além de Seu Jorge, a obra também traz Luedji Luna e Dexter como, respectivamente, Valdete e Babu. A cantora, por exemplo, vem cada vez mais se destacando na atuação e expandindo seus horizontes.
O núcleo infantil é composto por Rihanna Barbosa e Benin Ayo e eles dão vida a Rihanna e Benin. Sobre a decisão deles utilizarem os próprios nomes no filme, Muylaert diz que “perguntei pra eles se eles preferiam usar nomes falsos ou os reais e eles preferiram usar seus próprios nomes, até porque eles tem nomes muito simbólicos da cultura preta e ambos tem muito orgulho disso.” Além disso, Cruz relembra como foi trabalhar com os dois e que os atores “são gênios, artistas na alma, educados, firmes, agradáveis, engraçados, determinados. Aguentaram o tranco, não foi nada fácil, mas a gente tinha e tem muito amor uns pelos outros.”
Após sua estreia mundial na 75ª edição do Festival de Berlim, “A Melhor Mãe do Mundo” conquistou reconhecimento internacional ao ser premiado em dois festivais na França — La Fiesta Del Cine, em Nice, e CinéLatino Toulouse — onde foi escolhido como melhor filme pelo voto popular em ambas as ocasiões. O filme também teve sua première nos Estados Unidos durante a 68ª edição do San Francisco International Film Festival, realizada em 19 de abril, ampliando sua visibilidade na corrida para representar o Brasil na disputa pelo Oscar de Melhor Filme Internacional em 2026.