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Juliana França é indicada ao Prêmio Shell, um dos mais relevantes do teatro

Diretora do espetáculo “Cabeça de Porco – Retratos de um Território”, a artista da Baixada Fluminense concorre na categoria Melhor Direção
A atriz e diretora Juliana França, indicada ao Prêmio Shell.

A atriz e diretora Juliana França, indicada ao Prêmio Shell.

— Divulgação/Lucas Moratelli

30 de dezembro de 2025

A diretora e dramaturga Juliana França, de 35 anos, foi indicada ao Prêmio Shell de Teatro, um dos mais relevantes da cena teatral brasileira. A artista concorre na categoria Melhor Direção pelo espetáculo “Cabeça de Porco – Retratos de um Território”.

Nascida em Japeri, na Baixada Fluminense, e integrante do Grupo Código há 18 anos, Juliana construiu sua trajetória artística a partir de uma relação profunda com o território onde nasceu. O espetáculo também parte desse lugar de origem, que inspira e atravessa todo o projeto.

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Ao receber a indicação, a diretora celebrou o reconhecimento, que também valida sua prática artística e um trabalho pautado no pertencimento e na criação coletiva. 

“Ser uma mulher negra, jovem, de Japeri, indicada a um dos principais prêmios do teatro brasileiro, por si só já carrega muitos significados”, afirmou em comunicado à imprensa.

Obra reflete sobre o território periférico da Baixada Fluminense

A obra é resultado de uma pesquisa continuada do Grupo Código, que há duas décadas desenvolve ações artísticas e pedagógicas na Baixada Fluminense. O espetáculo propõe uma narrativa que se distancia dos estigmas historicamente associados à região, ao ressignificar a expressão popular “cabeça de porco” para refletir sobre a precarização sistemática e os estigmas que marcam territórios periféricos. O título também faz referência ao famoso cortiço carioca demolido em 1893.

Cena do espetáculo “Cabeça de Porco – Retratos de um Território”. (Foto: Divulgação/Higor Nery).

Segundo a diretora, a indicação ao Prêmio Shell reforça o impacto social da obra e contribui para a continuidade do espetáculo, garantindo a geração de trabalho para um elenco jovem, formado majoritariamente por artistas negros e moradores de Japeri.

A partir da indicação, o espetáculo tem planos de ampliar sua circulação pelo Brasil e também no exterior. De acordo com a diretora, a peça segue sendo desenvolvida a partir de Japeri, abrindo novos capítulos da cena teatral que siga conectada ao território.

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  • Thayná Santana

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