As principais memórias de infância do escritor Du Prazeres foram criadas vendo a avó, Nair, cozinhando e repassando as histórias da família no quilombo de Santo Antônio de Jacutinga, no Rio de Janeiro, hoje já inexistente. Os sabores e causos que moldaram a identidade dele estão reunidos no livro “Quilombo: contos e receitas”, segunda publicação literária do também autor de “Antirracismo em Contos Leves” (2023).
Cria da favela, pós-doutor em Letras e professor universitário, Du encontrou na intersecção entre literatura e gastronomia a ponte para resgatar a herança familiar. Ele apresenta sete narrativas, cada uma acompanhada por receitas tradicionais, resultando em uma mistura única de temperos, palavras, ingredientes e sentimentos que conectam o leitor à ancestralidade.
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A pesquisa da obra amplia o conhecimento das tradições quilombolas, exaltando a trajetória do povo preto. Os contos revelam a jornada de lideranças comunitárias, a exemplo de Dona Candinha, e refletem sobre as violências causadas pela fome.
A comida se torna personagem central com as ilustrações de Bruno Andrade, que trazem elementos dos livros de receitas tradicionais para complementar a escrita.
As 96 páginas apresentam iguarias como o Arroz de Yayá, prato caldoso temperado com ervas finas, e a Broa de Fubá, preparada com melado, leite e farinha de trigo.
Os capítulos são dedicados a personalidades e familiares referências para o desenvolvimento da produção literária, entre eles estão o ator Tony Tornado e o escritor Itamar Vieira Jr. “Quis celebrar pessoas, uma em cada conto, pelas suas trajetórias e pela importância que tiveram, direta ou indiretamente, na concepção deste livro”, elabora Du.
Em movimento de ensinamento para futuras gerações, a publicação foi selecionada pela prefeitura de Belo Horizonte para compor o projeto Kit Literário 2026, política de ampliação da leitura através da distribuição de livros para estudantes da Rede Municipal de Educação do município.
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