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Livro resgata trajetória de Almerinda Gama, pioneira negra da política brasileira

Jornalista Cibele Tenório lança biografia de sufragista apagada dos registros oficiais e participa de mesa na Casa República durante a FLIP 2025
Almerinda Gama na eleição de representantes classistas para a Assembleia Nacional Constituinte de 1933.

Almerinda Gama na eleição de representantes classistas para a Assembleia Nacional Constituinte de 1933.

— Reprodução/CPDOC/FGV

30 de julho de 2025

Na sexta-feira (1º), às 17h, a jornalista e pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB), Cibele Tenório, apresenta Almerinda Gama: A sufragista negra (Todavia, 2025) na Casa República, durante a 23ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), no Rio de Janeiro. Vencedor do Prêmio Todavia de Não Ficção, o livro resgata a trajetória da ativista negra e nordestina, nascida no final do século XIX, que atuou nos primórdios da luta pelos direitos políticos das mulheres no Brasil.

A participação de Cibele integra a programação da Casa República, espaço curado pela jornalista Daniela Pinheiro, que promove encontros entre pensamento político, cultura e memória. A casa faz parte da programação paralela da FLIP e tem como eixo o debate público por meio da literatura, com presença de autores negros, indígenas, servidores públicos e agentes culturais de diversos territórios.

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A historiografia oficial brasileira por muito tempo ignorou o nome de Almerinda Gama, mulher negra, nordestina, nascida no final do século XIX, que enfrentou os limites impostos pelo racismo e pelo machismo para ocupar espaços de poder político em um país marcado pela exclusão.

Almerinda foi uma das primeiras mulheres negras a ocupar espaços políticos no Brasil. Além de militante, destacou-se como pianista, poeta, jornalista e escritora. Sua trajetória silenciada volta a ser discutida com a publicação da biografia escrita por Tenório.

Foi delegada classista na eleição que compôs a Assembleia Constituinte de 1933, única mulher negra a atuar nesse processo, e dialogou diretamente com a imprensa para ampliar o alcance das pautas femininas e trabalhistas. Candidatou‑se a deputada federal em 1934, atuou no Partido Socialista Proletário do Brasil até 1937 e liderou a Ala Moça do Brasil como frente política de renovação partidária

“Foi muito interessante todo o processo de pesquisa e o encontro com a trajetória de Almerinda. É preciso destacar sua importância para o feminismo negro e a história política do país”, afirmou a autora em nota à imprensa.

Na 23ª edição da FLIP, o evento reafirma seu compromisso com a diversidade de vozes, abrindo espaço para histórias que, apesar de apagadas pela narrativa oficial, moldaram a história brasileira.

Serviço

Lançamento do livro “Almerinda Gama: A sufragista negra”

Quando: 1º de agosto de 2025

Horário: às 17h

Onde: Casa República – FLIP 2025 — Rua Dona Geralda, 25,  Paraty (RJ)

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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