O auditório Professora Doutora Lisete Arelaro, da Faculdade de Educação (FE) da Universidade de São Paulo (USP), recebe nesta quinta-feira (19), às 14 horas, o lançamento do livro e a abertura da exposição “Caetanistas Negros: outros que honram a galeria dos pretos do Brasil”.
O evento, com transmissão on-line, apresenta os resultados de uma pesquisa que identifica e celebra o protagonismo negro em uma das instituições de ensino mais emblemáticas do país, a Escola Caetano de Campos.
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O projeto é organizado pela pesquisadora Ariadne Ecar, pós-doutora pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), em conjunto com o Núcleo de Memória e Acervo Histórico (NUMAH) do Centro de Referência em Educação Mario Covas.
A iniciativa resgata as trajetórias de 11 personalidades negras que marcaram a história da instituição entre o início da República e a década de 1970.
Entre as figuras resgatadas estão Eduardo de Oliveira, primeiro vereador negro da capital paulista; a bióloga Rosa Maria Tavares Andrade; e Benedicto Galvão, primeiro presidente negro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São Paulo. O projeto traz à luz vozes e legados historicamente silenciados nos registros oficiais da instituição.
Segundo Clayton Policarpo, membro da equipe de organização, a exposição não se limita a banners. “Teremos vídeos de entrevistas com dois caetanistas. Foram entrevistas que realizamos dentro do projeto de história oral, e eles relatam a vivência deles”, explica em publicação da USP.
Diógenes Nicolau Lawand, do NUMAH, destaca a emoção provocada pelos depoimentos. “Nós presenciamos muitos professores e professoras se emocionando, porque viam aquele relato daquele caetanista negro, eles se identificavam”, afirma.
Desconstrução do imaginário elitista
Fundada em 1846, a Escola Caetano de Campos consolidou-se como modelo pedagógico para o Brasil, frequentemente associada no imaginário paulista a uma elite branca e abastada. As evidências históricas revelam, no entanto, uma realidade mais diversa.
A pesquisadora Ariadne Ecar contesta a versão difundida. “Ficou no imaginário paulista que a Caetano de Campos só admitia pessoas da elite paulista, o que não tem comprovação nenhuma”, afirma.
Ela destaca que, apesar da infraestrutura de ponta, com laboratórios e materiais didáticos avançados, a instituição era pública e aberta à diversidade social. “Não conseguimos encontrar nada que pudesse dizer que essa instituição não aceitava alunos pobres ou negros”, completa.
A semente do resgate histórico veio da percepção cotidiana de Maria Rejane Germano, idealizadora da exposição e funcionária pública que atuou no prédio da Praça da República por quase três décadas.
“Trabalhei no prédio da Caetano de Campos quase 30 anos e não sabia da história dos afrodescendentes que tinham estudado lá”, relata Rejane, que buscou investigar a presença negra nesse espaço tido como elitizado.
A iniciativa integra a proposta “Todo Dia é Dia de Antirracismo”, da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. O objetivo central é combater o racismo estrutural por meio da memória cotidiana, não apenas em datas comemorativas.
Serviço
Lançamento do livro e abertura da exposição “Caetanistas Negros: outros que honram a galeria dos pretos do Brasil”
Quando: 19 de março de 2026
Horários: 14h
Onde: Auditório Professora Doutora Lisete Arelaro – Faculdade de Educação da USP – Av. da Universidade, 308 – São Paulo (SP)