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‘Somos corpos políticos’: Os Garotin querem levar representatividade negra e periférica para o The Town

Trio formado por Léo Guima, Anchietx e Cupertino conversou com a Alma Preta sobre as expectativas para a participação no festival, que acontece em setembro em São Paulo
O trio Os Garotin.

O trio Os Garotin.

— Reprodução/Instagram

22 de junho de 2025

Pela primeira vez, o grupo Os Garotin sobe ao palco de um dos maiores festivais de música do país: o The Town. A edição de 2025, que acontece em setembro no Autódromo de Interlagos, na zona sul de São Paulo, contará com a participação dos jovens artistas da zona norte do Rio de Janeiro, que vêm ganhando destaque na cena da música nacional com um som que fala sobre identidade, amor e afeto.

A Alma Preta conversou com os integrantes do grupo, Léo Guima, Anchietx (Lucas Anchieta) e Cupertino (Victor Cupertino), que compartilharam o significado de ocupar esse espaço, as expectativas para a estreia e o compromisso de representar suas vivências no palco do The Town.

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“A gente fez o nosso primeiro show em São Paulo, que foi quando a galera começou a cantar nossa música. Foi um dia incrível. Depois desse show, fomos ao The Town e ficamos falando: ‘Imagina se a gente canta aqui um dia?’. Na época era só sonho, e agora a gente vai realizar.”, relatou Léo Guima. “Somos corpos políticos. Subir ali no palco já é de grande importância. A gente espera que essa conquista seja inspiração para a galera”, acrescentou Cupertino.

O grupo, que em 2024 levou para a casa o Grammy Latino na categoria de “Melhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa”, surgiu em 2019, a partir de encontros entre amigos que se conectaram através da arte e compartilharam suas referências culturais como artistas negros e periféricos, reafirmando o lugar da juventude como produtora de cultura.

Os Garotin carregam uma estética própria que mistura musicalidade, afeto e sensualidade, construindo uma sonoridade que rompe com estereótipos e se afirma como parte de um movimento mais amplo de artistas pretos que ocupam lugares de destaque.

“Acho que Os Garotin podem representar um resumo de boa parte do Brasil. Essa oportunidade que a gente tem de estar em muitos lugares diferentes, com pessoas diferentes, se dá pela nossa diversidade. O R&B invadiu a música brasileira no melhor sentido, e não é porque a gente aceita essa estética que não podemos colocar a estética que sempre foi nossa, a estética dos antigos. Fica difícil pra alguém que escuta Os Garotin não se identificar com alguma coisa. O nosso foco na música também é um grande diferencial”, afirmou Cupertino.

Transformações da música brasileira

Falando sobre as transformações da música brasileira, o músico destacou a necessidade de atualizar o que se entende por “música do Brasil”, a partir das influências de outros gêneros e territórios:

“O Brasil não vai ser sempre o canto que acontecia nos anos 1970 e 1980. Nós passamos por muitas transformações.  Uma mutação muito forte é a do R&B, é a mutação que a música preta americana causou no Brasil”.

Realizado na capital paulista desde 2023, o The Town se consolidou como um dos principais festivais de música da América Latina. Idealizado pelos mesmos criadores do Rock in Rio, o evento reúne artistas nacionais e internacionais em cinco dias de programação diversa, que vai do pop ao rap, do funk ao rock. 

Para a apresentação que acontecerá em setembro, Os Garotin convidou a artista baiana Melly, que também tem se destacado na cena musical nacional e agora poderá cantar para um grande público.

“A Melly é uma artista maravilhosa, que a gente admira muito. Quando cantamos juntos, parecia que ela era integrante dos Garotin. Sempre tivemos vontade de fazer alguma coisa com ela. Então, quando o The Town perguntou ‘Quem vocês querem chamar pra participar?’, Melly veio de cara na nossa mente”, recordou Cupertino.

Enquanto homens negros que carregam a representatividade e as raízes de São Gonçalo, Os Garotin ocupam um espaço importante na renovação da música brasileira, trazendo novas sonoridades e perspectivas. No The Town 2025, o grupo promete uma performance que traduz suas vivências e a presença da juventude negra periférica nos grandes palcos do país.

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  • Estudante de Jornalismo na USJT e moradora da periferia da zona sul de São Paulo, atua na comunicação inclusiva e acessível, com foco no jornalismo periférico. Comprometida com a valorização da cultura indígena e com a ampliação do espaço das mulheres na sociedade, também é apaixonada por música e cinema nacional.

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