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Deputados de Pernambuco aprovam cotas raciais em concursos públicos

Aprovação ocorre uma semana após concurso público unificado do governo pernambucano ter sido suspenso por falta de cotas raciais
Sessão ordinária na Assembleia Legislativa de Pernambuco.

Sessão ordinária na Assembleia Legislativa de Pernambuco.

— Reprodução/Jarbas Araújo/Alepe

16 de outubro de 2025

A Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco (Alepe) aprovou, na quarta-feira (15), um Projeto de Lei (PL) que estabelece 30% das vagas em concursos públicos para candidatos negros, indígenas e quilombolas.

O PL nº 464/2023 foi aprovado uma semana após a suspensão das inscrições no Concurso Público Unificado (CPU), lançado pelo governo pernambucano no dia 9 de outubro. O edital foi descontinuado no dia seguinte por não oferecer cotas raciais. 

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A proposta substituiu o texto legislativo enviado pela governadora Raquel Lyra (PSD) na última sexta-feira (10), depois do embargo nas inscrições. Em nota, a Alepe informou que, pelo regime da casa, a proposição do Poder Executivo precisaria aguardar dez dias para ser apreciada. Com isso, os deputados decidiram resgatar uma proposição de 2023 para acelerar a tramitação.

O PL determina que, do total, a reserva deve disponibilizar 25% das vagas para candidatos negros, 3% para indígenas e  2% para quilombolas. Na Assembleia Legislativa, o projeto obteve 48 votos favoráveis e apenas uma abstenção, do deputado estadual Renato Antunes (PL-PE).

Durante a sessão, Antunes declarou que as políticas públicas devem ter foco na vulnerabilidade socioeconômica, e não na questão racial. O parlamentar também criticou a falta de prazos ou metas definidas para a política de cotas.

Em resposta, a deputada Dani Portela (PSOL-PE) destacou que a constitucionalidade das políticas afirmativas já foram reconhecidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e ressaltou que as desigualdades no Brasil são baseadas em classe social, gênero e raça.

“Negar isso é negar 500 anos da história do nosso País, uma história de extermínio, expropriação e morte. […] Cotas raciais não são privilégios, são ferramentas de justiça que abrem as portas do Estado para povos e pessoas marginalizadas historicamente”.

Caso seja sancionada pelo Executivo, a lei terá validade imediata para os concursos e será aplicada no prazo de 120 dias em processos seletivos simplificados.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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