A diretora-executiva jurídica da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Luciana Nunes Freire, declarou, na quarta-feira (1º), em audiência pública no Senado, que o fim da escala 6×1 pode atrapalhar sua ida aos salões de beleza aos sábados.
O evento reuniu ministros do governo, parlamentares, empresários e dirigentes de centrais sindicais para discutir a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19, aprovada pela Câmara dos Deputados em 27 de maio. Há mais de um mês, o texto aguarda o encaminhamento do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para análise dos senadores.
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A proposta prevê limitar a jornada de trabalho a 40 horas, com a garantia de dois dias de descanso semanal remunerado e irredutibilidade salarial, isto é, a proibição de redução de salários.
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Durante a audiência, Freire afirmou que trabalha na escala 5×2, jornada em que se cumprem cinco dias de expediente e dois de folga, e que utiliza os finais de semana para ir ao salão de beleza como “qualquer mulher do plenário, que more nos centros urbanos ou comunidades”.
A dirigente alegou que o fim da escala 6×1 fará com que esses estabelecimentos fechem aos finais de semana, o que a impediria de ser atendida.
“Eu trabalho 5×2 e, aos sábados, qualquer mulher que está nesse plenário, que está no centro urbano ou está em uma comunidade, vai ao salão de cabeleireiro. E vai estar fechado aos sábados para nos atender?”, questionou.
A diretora também sugeriu que a aprovação da redução na jornada de trabalho fará com que supermercados e farmácias passem a ficar fechados aos domingos.
“Qualquer mulher que é arrimo de família ou, como eu, que sustenta mãe e filha, aos domingos eu abasteço o supermercado, eu busco comida para a minha família, eu compro remédio para a minha mãe. Vai estar tudo fechado aos domingos para mim?”, declarou.
Em nota nas redes sociais, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), autora da PEC, destacou que a fala de Luciana Meire demonstra desconhecimento sobre o funcionamento da organização por escalas e classificou o individualista como individualista.
“Agora, o ‘detalhe’: essa mulher é simplesmente Diretora-executiva da Fiesp, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, que representa os patrões e os bilionários. É esse o nível da “elite” do Brasil, que parece não ter superado a escravidão”, defendeu Hilton.
Uma mulher acaba de dizer em pleno Senado que é contra o fim da escala 6×1 porque ela, que faz escala 5×2, faz cabelo e compras aos sábados e as pessoas precisam trabalhar PRA ELA.
— ERIKA HILTON (@ErikakHilton) July 1, 2026
Além de não conhecer o conceito de ESCALA, ela se acha proprietária da vida e do trabalho alheio.… pic.twitter.com/xjwG3Ut0gu
A proposta não prevê o fechamento de estabelecimentos que funcionam em regime de escalas, como hospitais, supermercados, farmácias, hotéis e serviços essenciais. Caso aprovada, a reorganização das jornadas caberá aos empregadores, respeitando os novos limites previstos na legislação.
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