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Haiti anuncia 1ª eleição em uma década para agosto de 2026

Governo de transição aprova plano para reconstruir instituições, combater grupos armados e restabelecer serviços públicos antes do pleito
Vista do Palácio Nacional, sede do Executivo da República Dominicana, em Santo Domingo, no Haiti.

Vista do Palácio Nacional, sede do Executivo da República Dominicana, em Santo Domingo, no Haiti.

— Stringer/AFP

3 de dezembro de 2025

As autoridades de transição do Haiti anunciaram que o país realizará a primeira rodada de eleições gerais em agosto de 2026. A data foi definida pelo Conselho Eleitoral Provisório, órgão responsável pela organização do pleito. Se concretizada, será a primeira votação no país em quase dez anos.

O anúncio, no entanto, é condicionado ao pré-requisito da restauração da segurança em todo o território haitiano. “A restauração da segurança é um pré-requisito para a realização da primeira rodada” das eleições legislativas e presidenciais, afirmou Jacques Desrosiers, presidente do conselho eleitoral.

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O Haiti, a nação mais pobre das Américas, enfrenta uma crise política e de segurança crônica. A situação se agravou no início de 2024, quando o então primeiro-ministro Ariel Henry foi forçado a renunciar sob pressão de gangues armadas, que ainda controlam grande parte da capital, Porto Príncipe. 

O país não realiza eleições desde outubro de 2016. Seu último presidente eleito, Jovenel Moïse, foi assassinado em julho de 2021.

Apoio internacional e desafio da segurança

O Departamento de Estado dos Estados Unidos emitiu uma nota para saudar o anúncio. “O povo haitiano esperou quase uma década para eleger democraticamente sua liderança”, disse o comunicado, que conclamou líderes políticos, a sociedade civil e a comunidade internacional a “apoiar a restauração da estabilidade política do Haiti”. 

A nota informou que uma conferência será realizada em Nova York em 9 de dezembro para “gerar contribuições de força para a Força de Supressão de Gangues”.

A segurança no país é o obstáculo central. Em 2023, a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma missão de segurança multinacional para auxiliar a polícia haitiana, sobrecarregada pelas gangues. A missão, no entanto, enfrenta problemas de equipamento e financiamento, com resultados limitados. No final de setembro, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a transformação da operação em uma força antigangue mais robusta.

A violência das gangues criminosas gera instabilidade crônica no Haiti, com relatos constantes de assassinatos, estupros, saques e sequestros. Um relatório da ONU de outubro informou que mais de 16 mil pessoas morreram em decorrência da violência armada no país desde o início de 2022.

O Haiti é governado atualmente pelo Conselho Presidencial de Transição, um órgão interino cujo mandato está previsto para terminar em fevereiro de 2026. O presidente do conselho, Laurent Saint-Cyr, elogiou a adoção do decreto eleitoral. 

Em uma publicação na rede X (ex-Twitter), ele afirmou que a decisão “oferece finalmente ao povo haitiano a oportunidade de escolher livre e responsavelmente aqueles que devem liderá-los”. 

“Ao dar este passo decisivo, enquanto permanecemos totalmente comprometidos com a restauração da segurança, reafirmamos nosso compromisso de colocar o Haiti de volta no caminho da legitimidade democrática e da estabilidade”, acrescentou.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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