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Israel comete genocídio em Gaza com intenção de destruir o povo palestino, conclui comissão da ONU

Relatório aponta quatro dos cinco atos previstos na Convenção de 1948 e responsabiliza Netanyahu e autoridades israelenses por incitação; investigadores afirmam que autoridades israelenses agem com intenção de "destruir os palestinianos"
Fumaça sobe na Cidade de Gaza após ataques israelenses a uma torre em 10 de setembro de 2025.

Fumaça sobe na Cidade de Gaza após ataques israelenses a uma torre em 10 de setembro de 2025.

— Omar Al-Qattaa/AFP

16 de setembro de 2025

A Comissão Internacional Independente de Inquérito da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou nesta terça-feira (16) que Israel comete genocídio em Gaza com a intenção de destruir o povo palestino. O relatório atribui responsabilidade direta ao Estado de Israel e acusa o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, e outras autoridades de incitação.

É a primeira vez que um órgão investigativo da ONU conclui que o país comete genocídio. Organizações não governamentais e especialistas independentes já haviam feito acusações semelhantes desde o início da incursão israelense em Gaza, após o ataque do Hamas em Israel que deixou 1.219 mortos em outubro de 2023.

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Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, considerado fonte confiável pela ONU, a resposta militar israelense matou quase 65 mil pessoas e deslocou praticamente toda a população do território.

Primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Foto: Oded Balilty / POOL / AFP

Genocídio e responsabilidade

A comissão concluiu que Israel cometeu quatro dos cinco atos previstos na Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio, de 1948: assassinato de membros do grupo, imposição de danos físicos ou mentais graves, condições de vida calculadas para destruir o grupo total ou parcialmente e medidas para impedir nascimentos.

Os investigadores afirmam que discursos de autoridades civis e militares, combinados com os padrões de ação das forças armadas, demonstram a intenção de destruir os palestinos da Faixa de Gaza como grupo.

Além de Netanyahu, o presidente de Israel, Isaac Herzog, e o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant foram citados por incitação. “A responsabilidade por esses crimes atrozes recai sobre as mais altas autoridades israelenses”, afirmou Navi Pillay, ex-chefe do Tribunal Internacional para Ruanda e da ONU para Direitos Humanos.

Familiares cercam sacos mortuários contendo corpos de palestinos mortos em ataques israelenses. Foto: Omar Al-Qattaa/AFP

Reações e implicações internacionais

O governo israelense rejeitou as conclusões, classificando-as como “distorcidas e falsas” e pedindo a dissolução da comissão.

O relatório foi divulgado no mesmo dia em que Israel iniciou uma ofensiva terrestre na Cidade de Gaza, onde a ONU declarou situação de fome generalizada.

O material será utilizado como base de cooperação com o Tribunal Penal Internacional (TPI), que já expediu mandados de prisão contra Netanyahu e Gallant por crimes de guerra e contra a humanidade. A Corte Internacional de Justiça (CIJ) também determinou em 2024 que Israel prevenisse e punisse qualquer incitação pública ao genocídio.

Embora um julgamento definitivo possa levar anos, os investigadores enfatizaram que a falta de ação imediata dos Estados-membros equivale a cumplicidade.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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