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Vereadora promove 1ª plenária das comunidades de matriz africana de Taboão da Serra

O encontro representa um marco histórico para o município ao abrir o plenário da Câmara para o diálogo com sacerdotes, filhos de santo, pesquisadores, lideranças comunitárias e representantes de movimentos negros
A vereadora Professora Najara Costa (PCdoB).

A vereadora Professora Najara Costa (PCdoB).

— Divulgação

11 de novembro de 2025

A Câmara Municipal de Taboão da Serra sediará, na próxima quarta-feira (12), às 18 horas, a primeira Plenária dos Povos Tradicionais e Comunidades de Matriz Africana. A iniciativa é do mandato da vereadora Professora Najara Costa (PCdoB). 

O encontro representa um marco histórico para o município ao abrir o plenário da  Câmara para o diálogo com sacerdotes, sacerdotisas, filhos e filhas de santo,  pesquisadores, lideranças comunitárias e representantes de movimentos negros.  O objetivo é fortalecer a defesa dos direitos dos Povos Tradicionais de Matriz Africana e propor políticas públicas voltadas à valorização cultural, à proteção das tradições afro-brasileiras e à ampliação do reconhecimento institucional dessas  comunidades. 

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A plenária contará com a presença do gabinete da deputada estadual Leci Brandão (PCdoB-SP), referência na valorização da cultura negra e na defesa dos povos  tradicionais. Também participarão o Movimento Negro Unificado (MNU),  representado por sua presidenta, e a Unegro – União de Negros e Negras pela  Igualdade, com representantes de suas direções estadual e municipal. 

Entre as convidadas confirmadas estão Mãe Bárbara de Oyá, filha do histórico  babalorixá Pai Quilombo, prestes a ser reconhecido em seu centenário. Mãe Bárbara é uma das principais vozes na luta pelo tombamento do Ilê Asè Jagun, no município. A plenária também contará com a presença da Iyalorixá Débora D’Osun,  presidenta do Conselho Municipal de Igualdade Racial de Taboão da Serra.

Durante o evento, será promovido o debate sobre a Proposta de Emenda à  Constituição (PEC) da Reparação, que trata da criação do Fundo Nacional de  Reparação e Promoção da Igualdade Racial, atualmente relatada pelo deputado  federal Orlando Silva (PCdoB-SP). A proposta busca estabelecer mecanismos concretos de  reparação histórica e estrutural às populações negras brasileiras, além de  fortalecer as políticas públicas de igualdade racial no país. 

Fundamentação jurídica e política 

A realização desta plenária tem respaldo em marcos legais e internacionais  fundamentais. Entre eles, destaca-se o Decreto Federal nº 6.040/2007, que  institui a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e  Comunidades Tradicionais. O decreto reconhece as comunidades quilombolas e  de matriz africana como sujeitos de direitos coletivos e assegura princípios como o  direito à territorialidade, à identidade cultural, à autodeterminação e à proteção de  seus saberes e práticas ancestrais. 

Essas diretrizes orientam a formulação de políticas públicas inclusivas e reafirmam  a centralidade da ancestralidade africana na formação da sociedade brasileira. 

No campo internacional, a plenária se inspira na Declaração e Programa de Ação  de Durban (2001), documento resultante da III Conferência Mundial contra o  Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerâncias Correlatas. Essa  conferência convocou os Estados a adotar medidas efetivas para eliminar o  racismo estrutural e religioso, promover reparações históricas e consolidar a  igualdade racial como princípio democrático. 

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