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Liderança da oposição a Paul Kagame em Ruanda é presa no país

A política da oposição e presidente do partido Desenvolvimento e Liberdade para todos (DALFA, na sigla em inglês), durante audiência na Suprema Corte em Kigali, capital de Ruanda, 13 de março de 2024

A política da oposição e presidente do partido Desenvolvimento e Liberdade para todos (DALFA, na sigla em inglês), durante audiência na Suprema Corte em Kigali, capital de Ruanda, 13 de março de 2024

— Guillem Sartorio/AFP

20 de junho de 2025

Nesta sexta-feira (20), uma das principais figuras da oposição e considerada uma das poucas vozes críticas ao presidente ruandês, Paul Kagame, Victoire Ingabire foi detida pelo Escritório de Investigação de Ruanda (RIB, na sigla em inglês).

A detenção de Ingabire foi anunciada pelo RIB em um comunicado nas redes sociais na mesma data. Segundo o escritório, Ingabire foi acusada em um caso de criação de organização criminosa e incitação de desordem pública.

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A prisão ocorre no dia seguinte a uma audiência em Kigali, capital do país, na qual Ingabire foi questionada em meio a um inquérito sobre o julgamento de nove pessoas acusadas de tentativa de organizar a derrubada do governo usando meios não-violentos.

Isso fica evidente no comunicado do RIB, que afirma que iniciou uma investigação contra Ingabire “como uma forma de implementar a decisão da Suprema Corte em relação ao caso em andamento de Sibomana Sylvain e seus colegas para que ela também possa ser julgada”. 

O RIB não deu mais detalhes, incluindo quando a liderança será formalmente acusada.

Conforme reporta a agência AFP, na quinta-feira (19) Ingabire se distanciou das acusações, afirmando à corte que seu partido, Desencvolvimento e Liberdade para todos (DALFA-Umurinzi, na sigla em inglês), “nunca organizou, conduziu ou financiou esse tipo de treinamento”.

Apesar de alguns dos que estão sendo julgados conhecerem Ingabire, ela afirmou que o caso era uma tentativa da procuradoria de ligar eventos sem conexão entre si.

Ingabire já passou oito anos na prisão após ser considerada culpada de questionar publicamente a narrativa do governo sobre o genocídio de 1994, que deixou cerca 800 mil mortos no país. 

O restante de sua pena de 15 anos foi reduzido por Kagame em 2018, mas ela continuou banida de participar nas eleições presidenciais seguintes.

Em março de 2024, ela perdeu uma tentativa de reverter o banimento para participar do pleito — vencido por Kagame com 99% dos votos. Ruanda tem cerca de 14 milhões de habitantes.

Paul Kagame preside Ruanda desde abril de 2000, tendo sido anteriormente vice-presidente do país e ministro da Defesa (1994-2000). O mandatário também é figura chave em um conflito regional no país vizinho, a República Democrática do Congo. Kagame é acusado de apoiar o grupo armado M23 a tomar cidades e territórios no país vizinho, beneficiando-se da extração de minérios como cobalto e coltan na região.

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  • Solon Neto

    Cofundador e diretor de comunicação da agência Alma Preta Jornalismo; mestre e jornalista formado pela UNESP; ex-correspondente da agência internacional Sputnik News.

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