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EUA propõem retirada militar de Ruanda como condição para acordo de paz na RD Congo

Proposta norte-americana condiciona assinatura à retirada militar ruandesa do leste do Congo e inclui mecanismo de coordenação de segurança
Goma em 1º de março de 2025, após entregar os soldados repatriados das Forças Democráticas para a Libertação de Ruanda (FDLR) ao governo ruandês.

Goma em 1º de março de 2025, após entregar os soldados repatriados das Forças Democráticas para a Libertação de Ruanda (FDLR) ao governo ruandês.

— Jospin Mwisha/AFP

11 de junho de 2025

O governo dos Estados Unidos avançou nas negociações de um acordo de paz entre a República Democrática do Congo (RDC) e Ruanda. A proposta, articulada por diplomatas norte-americanos, inclui a exigência de retirada das tropas ruandesas da região leste do território congolês antes da assinatura formal do pacto. 

O objetivo da mediação é encerrar os combates e viabilizar novos investimentos ocidentais em uma das regiões mais ricas em recursos minerais do planeta.

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Fontes diplomáticas consultadas pela agência Reuters confirmaram a existência de um projeto de acordo com cláusulas específicas elaboradas por autoridades dos EUA. A versão atual do texto foi entregue a Kinshasa e Kigali poucas semanas após a assinatura de uma declaração de princípios em Washington, em abril, por chanceleres dos dois países.

Condição central para acordo de paz: retirada militar ruandesa

O projeto de acordo condiciona qualquer avanço formal à retirada de tropas, armas e equipamentos ruandeses da RDC. A proposta também prevê a criação de um Mecanismo Conjunto de Coordenação de Segurança, que reuniria observadores militares ruandeses e estrangeiros para lidar com questões como a presença de milícias hutus, incluindo as Forças Democráticas para a Libertação de Ruanda (FDLR).

Para o governo congolês, essa exigência representa uma resposta às denúncias de que o grupo rebelde M23, ativo desde 2021, recebe apoio militar de Kigali. O M23 controla áreas estratégicas das províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul, incluindo regiões próximas a Goma e Bukavu. 

Já Ruanda, que nega envolvimento com os rebeldes, argumenta que sua atuação na RDC se limita à defesa contra ameaças vindas das FDLR, ligadas ao genocídio de 1994.

Outro ponto do texto consultado prevê que o governo de Kinshasa aceite a participação do M23 em um diálogo nacional em pé de igualdade com outros grupos armados não estatais. Essa proposta representa um desafio político para a RDC, que classifica o M23 como organização terrorista e já se encontra em negociações paralelas com seus representantes.

Diplomacia e mineração

O projeto de paz ocorre em um contexto de forte presença diplomática dos Estados Unidos na região. Em maio, o diplomata Troy Fitrell, do Departamento de Estado americano, defendeu celeridade nas negociações e afirmou que um acordo total não poderia esperar mais décadas. Segundo ele, a estratégia americana busca acelerar a estabilidade na região sem aguardar soluções ideais.

O plano de Washington também se alinha ao interesse em estabelecer um corredor seguro para o acesso a minerais estratégicos da RDC. A proposta de paz acompanha negociações paralelas para firmar um acordo comercial que garanta a empresas norte-americanas prioridade no acesso a recursos como terras raras, ouro e estanho, fundamentais para a produção de baterias e tecnologias avançadas.

Até o início desta semana, o governo de Ruanda ainda não havia respondido oficialmente ao projeto norte-americano. O ministro das Relações Exteriores ruandês, Olivier Nduhungirehe, indicou que especialistas de ambos os países se reuniriam em Washington para discutir o texto. 


Internamente, o governo do presidente ruandês, Paul Kagame, encara com desconfiança as exigências de retirada militar, uma vez que considera os grupos armados que operam a partir do Congo como uma ameaça direta à segurança nacional.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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