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Audiovisual indígena é mapeado pela 1ª vez em São Paulo

Pesquisa identifica 42 realizadores indígenas no estado e aponta caminhos para políticas públicas mais inclusivas no audiovisual
Registro do 4º Fórum Spcine, onde foi apresentado o primeiro mapeamento do audiovisual indígena em São Paulo.

Registro do 4º Fórum Spcine, onde foi apresentado o primeiro mapeamento do audiovisual indígena em São Paulo.

— Divulgação/Spcine

5 de julho de 2025

Lançado durante o 4º Fórum Spcine, em junho de 2025, o estudo “Mapeamento do Cinema Indígena no Estado de São Paulo” apresenta, pela primeira vez, um diagnóstico detalhado sobre a atuação de cineastas indígenas em diferentes regiões do estado. A pesquisa, conduzida pelo Instituto Catitu a pedido do Observatório Spcine, identificou 42 pessoas indígenas envolvidas com o audiovisual, atuando em aldeias, áreas urbanas e universidades.

O levantamento parte da constatação de que as políticas afirmativas da Spcine não vinham sendo plenamente acessadas por realizadores indígenas, o que motivou a realização de um estudo aprofundado para subsidiar novas estratégias de fomento e inclusão.

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A maioria dos cineastas mapeados pertence ao povo Guarani Mbyá, mas há representantes de diversos outros povos, como Pankararu, Tupiniquim, Tukano, Baniwa, Aymara, Baré e Mongconãnn. As produções abordam temas como identidade cultural, meio ambiente, retomadas territoriais, igualdade de gênero, memória e resistência. 

Formação e circulação

O mapeamento revela que as primeiras experiências de formação audiovisual em aldeias Guarani Mbyá do litoral paulista surgiram nos anos 2000. Projetos como os do Instituto Catitu, Comitê Interaldeias e Comissão Guarani Yvyrupa vêm fortalecendo o audiovisual como ferramenta de expressão, articulação política e registro de memória.

Exemplos recentes incluem a formação de mulheres cineastas em Tenondé Porã, o surgimento de coletivos em Guarulhos e novos polos de produção no Jaraguá, como o Guarani Lab. Produções como Aguyjevete Avaxi’i, de Kerexu Martim, e Javyju, de Kunha Rete e Carlos Magalhães, conquistaram reconhecimento em festivais e mostram a potência criativa desses territórios.

Apesar do crescimento, a circulação das obras ainda enfrenta obstáculos. Os entrevistados relataram dificuldades em acessar recursos financeiros, inscrever projetos em editais e distribuir seus filmes. A ausência de canais específicos para exibição e o desconhecimento de políticas culturais por parte das comunidades também aparecem como barreiras.

Caminhos para políticas públicas

As entrevistas realizadas revelaram o desejo de fortalecimento da cadeia produtiva do cinema indígena e o reconhecimento da diversidade de práticas e territórios que compõem esse campo. A partir das escutas, o relatório propõe uma série de diretrizes para orientar o fomento ao audiovisual indígena no estado.

O estudo recomenda a criação de editais específicos voltados para cineastas indígenas, com regras mais acessíveis e mecanismos de apoio técnico, a fim de garantir a participação efetiva dos coletivos e indivíduos interessados. A formação continuada também aparece como prioridade, com destaque para ações descentralizadas e desenvolvidas em parceria com lideranças e organizações indígenas.

Outra frente proposta é a ampliação dos canais de distribuição e exibição dos filmes, com atenção para circuitos que dialoguem com os territórios de origem dos realizadores. O incentivo à criação de cineclubes, mostras itinerantes e plataformas digitais também é apontado como estratégia para aumentar a visibilidade das obras e o contato com diferentes públicos.

A preservação das produções e a valorização dos acervos audiovisuais também são indicadas como dimensões fundamentais. A pesquisa destaca a necessidade de medidas que assegurem a memória audiovisual indígena e promovam sua circulação ao longo do tempo, respeitando os modos de registro e organização próprios das comunidades.

Por fim, o relatório propõe que essas ações estejam articuladas com políticas culturais mais amplas, garantindo que o cinema indígena não seja tratado de forma isolada, mas como parte integrante das políticas de cultura e comunicação no estado e no país.

Para Lyara Oliveira, presidente da Spcine, o mapeamento inaugura uma nova etapa na relação entre o poder público e os realizadores indígenas.


“O levantamento representa um passo importante na construção de um ecossistema audiovisual mais plural, reconhecendo o cinema indígena como parte do patrimônio cultural brasileiro e da economia criativa. A iniciativa reforça o compromisso com a ampliação de oportunidades e a redução das desigualdades, abrindo caminhos para que narrativas indígenas ocupem mais espaços e contribuam para o debate cultural”, disse em nota à imprensa.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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