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Combates entre exército congolês e M23 recomeçam no leste da RDC, apesar de acordo de paz

Novos confrontos em South Kivu ocorrem semanas após acordos de cessar-fogo, enquanto Ruanda rejeita acusações da ONU sobre apoio a massacres
O mediador de paz Sumbu Sita Mambu, um alto representante do chefe de Estado na República Democrática do Congo, e o secretário executivo do grupo armado M23, Benjamin Mbonimpa, trocam documentos após assinarem um acordo de cessar-fogo na capital do Catar, Doha, em 19 de julho de 2025.

O mediador de paz Sumbu Sita Mambu, um alto representante do chefe de Estado na República Democrática do Congo, e o secretário executivo do grupo armado M23, Benjamin Mbonimpa, trocam documentos após assinarem um acordo de cessar-fogo na capital do Catar, Doha, em 19 de julho de 2025.

— Karim Jaafar/AFP

12 de agosto de 2025

Novos combates entre as Forças Armadas da República Democrática do Congo (FARDC) e o grupo armado M23 foram registrados desde sexta-feira (8) na cidade de Mulamba, província de South Kivu, cerca de 80 quilômetros ao sudoeste de Bukavu.

Testemunhas relataram à Agence France-Presse (AFP) que armas pesadas e bombas vêm sendo usadas por ambos os lados, com disparos atingindo diversas áreas. No domingo (10), as duas forças enviaram reforços para a região. Até o momento, não há balanço oficial de vítimas.

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O confronto ocorre menos de um mês após Kinshasa e o M23 assinarem, em 19 de julho, uma declaração de princípios comprometendo-se com um cessar-fogo permanente. O documento seguiu um acordo firmado em junho entre a RDC e Ruanda, país acusado de apoiar o M23.

De acordo com fontes locais, o M23 conseguiu repelir milicianos e tropas congolesas durante as trocas de tiros. Em comunicado, o porta-voz do M23, Lawrence Kanyuka, acusou o governo congolês de realizar “manobras militares ofensivas com vistas a um conflito em larga escala”.

O M23, ativo desde 2012 e retomando operações em 2021, controla extensas áreas no leste congolês, incluindo as cidades de Goma e Bukavu, capturadas em janeiro e fevereiro de 2025. Desde janeiro deste ano, mais de dois milhões de pessoas fugiram da violência, segundo relatório do Escritório da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Coordenação de Assuntos Humanitários.

Ruanda rejeita acusações da ONU

A intensificação da violência ocorre dias após a divulgação de um relatório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, que acusou combatentes do M23, com apoio de membros das Forças de Defesa de Ruanda (RDF), de matar pelo menos 319 civis em julho na província de North Kivu, apesar do cessar-fogo em vigor.

O chanceler ruandês classificou as alegações como “inaceitáveis” e afirmou em nota oficial que a inclusão de seus militares no documento da ONU “coloca em dúvida a credibilidade” da instituição. Kigali sustenta que as acusações são infundadas e que sua incorporação ao relatório ocorreu sem a devida verificação de fatos, o que, na avaliação do governo, ameaça minar os esforços diplomáticos em curso para encerrar o conflito.

Ruanda e a República Democrática do Congo mantêm uma relação marcada por décadas de tensões, agravadas desde 2021 pela reativação do M23. Kinshasa acusa Kigali de fornecer apoio logístico, armamento e efetivos ao grupo, o que o governo ruandês nega. Apesar dos compromissos assumidos no acordo de junho, os dois países continuam trocando acusações públicas sobre violações do cessar-fogo.

O Ministério das Relações Exteriores de Ruanda também reiterou que permanece comprometido com os canais de mediação regionais e internacionais, mas defende que tais processos não devem ser “contaminados” por conclusões precipitadas.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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